Novo aplicativo do governo federal reduz prazo de emissão da primeira CNH para dois meses
O governo federal lançou em janeiro de 2026 o aplicativo CNH do Brasil, que reduziu o prazo de emissão da primeira habilitação de nove para dois meses. A plataforma digitaliza etapas do processo via conta gov.br e biometria facial, com operação plena em cinco estados e Distrito Federal
O governo federal implementou, em janeiro de 2026, o aplicativo CNH do Brasil, plataforma desenvolvida pelo Serpro em parceria com a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). A ferramenta promove a maior modernização do sistema de habilitação desde a criação do Código de Trânsito Brasileiro em 1997, reduzindo o prazo médio para a emissão da primeira carteira de motorista de nove meses — tempo anteriormente gasto nos Detrans estaduais — para apenas dois meses.
O novo sistema unifica todo o ciclo de habilitação em um único ambiente digital vinculado ao Registro Nacional de Condutores Habilitados (Renach), substituindo definitivamente o aplicativo Carteira Digital de Trânsito, que desde 2018 servia apenas para consultas. Com a centralização, o candidato realiza desde a abertura do processo até a prova teórica via celular, eliminando a necessidade de comparecimento presencial aos órgãos de trânsito, com exceção das etapas práticas obrigatórias.
Para acessar a plataforma, disponível na Google Play e App Store, é exigido login via conta gov.br nos níveis ouro ou prata. A segurança do processo é sustentada pela biometria facial obrigatória com tecnologia Liveness Check, que valida a identidade do usuário em confronto com o documento civil. Caso o sistema não reconheça a face após dez tentativas, o candidato deve utilizar um certificado digital pessoa física (com custo entre R$ 150 e R$ 250) ou comparecer a uma unidade física do Detran.
A digitalização ataca gargalos históricos, como a marcação manual de exames e a demora na conferência de documentos. A integração automática com bases da Receita Federal, Polícia Federal e Detrans bloqueia em tempo real inconsistências de CPF, históricos criminais pendentes ou divergências biométricas. Essa automação substitui a conferência manual de servidores, etapa que a Polícia Federal identificava como vulnerável a fraudes cometidas por quadrilhas e despachantes irregulares.
Nos primeiros dois meses de operação, mais de dez mil brasileiros concluíram a formação pelo aplicativo. A implementação ocorre de forma escalonada: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal já operam plenamente. Uma segunda fase inclui Ceará, Pernambuco, Bahia, Goiás e Santa Catarina, com previsão de conclusão até o fim do primeiro semestre de 2026. Os demais 12 estados estão em testes técnicos, com a meta da Senatran de atingir cobertura nacional total até dezembro de 2026.
A transição impactou o setor de serviços, com associações de despachantes registrando queda de 30% no faturamento mensal em algumas capitais desde fevereiro, devido à automação dos processos.
Para condutores já habilitados, o aplicativo também centraliza a renovação da CNH. O fluxo envolve a atualização da biometria facial, agendamento de exame médico em clínicas credenciadas e pagamento de taxas via Pix ou cartão. O documento resultante é digital, com QR Code de validade nacional, embora a versão física em policarbonato continue disponível sob solicitação, com entrega via correios em até 15 dias úteis.
Ainda para o segundo semestre de 2026, a Senatran e a Susep planejam integrar ao aplicativo o pagamento do seguro DPVAT, o licenciamento anual de veículos e a consulta de pontuação, transformando a ferramenta em uma plataforma completa de gestão veicular e documental.