Astrônomos descobrem planeta com órbita polar ao redor de um par de anãs marrons
Astrônomos do Observatório Europeu do Sul identificaram o planeta 2M1510 (AB) b, localizado a 120 anos-luz da Terra. O corpo celeste orbita um par de anãs marrons em uma trajetória polar, quase perpendicular ao plano orbital do sistema. A descoberta, publicada na revista Science Advances, foi realizada com o Very Large Telescope
Astrônomos do Observatório Europeu do Sul (ESO) identificaram um sistema planetário com características extremamente incomuns, localizado a aproximadamente 120 anos-luz da Terra. O objeto, denominado 2M1510 (AB) b, é um candidato a planeta que orbita um par de anãs marrons — corpos celestes que possuem massa intermediária entre planetas gigantes e estrelas, mas que não conseguem sustentar a fusão de hidrogênio, sendo por isso conhecidos como "estrelas fracassadas".
O diferencial do sistema reside em sua geometria: o planeta apresenta uma órbita polar, movendo-se de forma praticamente perpendicular ao plano orbital das duas anãs marrons. Enquanto a maioria dos sistemas planetários segue a lógica de órbitas alinhadas, herdadas dos discos de gás e poeira onde se formam, o 2M1510 (AB) b segue uma trajetória inclinada em quase 90 graus.
A detecção foi possível graças a medições de velocidade radial realizadas pelo Very Large Telescope (VLT), no Chile, que registraram alterações sutis no movimento do sistema binário de anãs marrons. Os detalhes da descoberta foram publicados na revista Science Advances em 16 de abril de 2025, data do comunicado do ESO, e repercutidos pela NASA em 21 de maio do mesmo ano.
Essa configuração desafia os modelos tradicionais de formação planetária, que pressupõem o alinhamento orbital como consequência natural. Para explicar a inclinação extrema, os pesquisadores levantam a hipótese de que o planeta possa ter sido capturado pelo sistema já em uma órbita inclinada ou que interações gravitacionais complexas, típicas de sistemas binários, tenham alterado sua trajetória original ao longo do tempo.
A proximidade do sistema 2M1510 permite que instrumentos atuais e futuras missões espaciais realizem análises espectroscópicas e medições dinâmicas mais precisas. O objetivo é confirmar a natureza do objeto e refinar as teorias sobre a diversidade de arquiteturas planetárias, testando se esse tipo de órbita polar é um evento raro ou se indica a existência de muitos outros sistemas semelhantes que ainda não foram detectados por limitações tecnológicas.