Economia

Agibot envia 10 mil robôs humanoides e planeja entregar 100 mil unidades em 2026

25 de Abril de 2026 às 12:01

A Agibot, de Xangai, enviou 10 mil robôs humanoides até 28 de março de 2026 e projeta entregar 100 mil unidades até dezembro. No primeiro trimestre do ano, a empresa fabricou 5 mil robôs e inaugurou uma planta produtiva em Foshan em 31 de março

A Agibot, sediada em Xangai, atingiu a marca de 10 mil robôs humanoides enviados cumulativamente em 28 de março de 2026. A empresa projeta a entrega de 100 mil unidades até o encerramento do ano, volume dez vezes superior ao total produzido até o momento. Nos primeiros três meses de 2026, a companhia fabricou 5 mil unidades e, em 31 de março, iniciou as operações de uma nova planta em Foshan, no sul da China, para multiplicar sua capacidade produtiva.

Esse movimento insere a China em um surto de produção que desloca a tecnologia de laboratórios para a implantação global em centros logísticos, armazéns e fábricas. O ritmo chinês contrasta com o de empresas ocidentais, que seguem em fases anteriores de desenvolvimento. A norueguesa 1X firmou acordo com a EQT Ventures para distribuir 10 mil robôs Neo entre 300 empresas globais de manufatura e logística entre 2026 e 2030 — volume que a Agibot produziu em um único trimestre.

No Estados Unidos, a Tesla converte parte da fábrica de Fremont para a produção em massa do Optimus Gen 3, mas não detalhou números de entregas comerciais. A Boston Dynamics planeja implantar dezenas de milhares de unidades do Atlas elétrico em fábricas da Hyundai, enquanto a Figure AI escala sua produção para milhares de unidades anuais via pilotos comerciais. Nenhuma dessas companhias alcançou a escala de envios da Agibot em 2026.

A transição da automação artesanal para a industrial em menos de um ano altera a dinâmica do mercado de trabalho. Embora a narrativa corporativa foque no auxílio a tarefas de logística e no atendimento a demandas reais, a substituição de centenas de operários por dezenas de robôs é um risco iminente. Para o Brasil, a pressão recai sobre a competitividade industrial em montagem e manufatura, já que a redução de custos nas fábricas chinesas pode prejudicar empresas brasileiras dependentes de mão de obra intensiva. A China, que já exporta capacidade industrial, a exemplo da ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão, pode agora exportar força de trabalho automatizada.

A meta de 100 mil unidades é considerada agressiva e baseia-se em informações de veículos alinhados ao mercado tecnológico chinês, como a Momenta Media e a Biped News. A ausência de dados independentes sobre desempenho, custos e taxas de falha sugere que os números podem refletir otimismo corporativo. Ainda assim, a entrega de 50 mil robôs representaria um marco inédito na história da automação industrial.

Notícias Relacionadas