Fralía investe R$ 20 milhões para transformar resíduos de cacau em insumos para a indústria alimentícia
A Fralía investiu R$ 20 milhões em sua fábrica em São Gonçalo do Rio Abaixo e prevê aportes anuais de R$ 5 milhões por quatro anos. Em parceria com o LNBR/CNPEM, a empresa utiliza biotecnologia para transformar polpa, casca e película de cacau em insumos para alimentos. O projeto, fomentado pela Embrapii, visa aumentar o teor de fibras em produtos processados
A Fralía, empresa sediada em São Gonçalo do Rio Abaixo, em Minas Gerais, investiu R$ 20 milhões em sua unidade fabril e planeja aportes anuais de R$ 5 milhões pelos próximos quatro anos para viabilizar o aproveitamento integral do cacau. O projeto visa transformar polpa, casca e película — componentes que hoje representam entre 90% e 94% do peso do fruto e são subutilizados ou descartados pela indústria — em insumos funcionais para a produção de bolos, biscoitos e outros derivados.
A iniciativa busca elevar o teor de fibras em alimentos processados, alinhando-se às recomendações de saúde pública atualizadas em 2026, que sugerem o consumo diário de 25 g a 30 g de fibras para adultos saudáveis. Para converter esses resíduos em produtos de escala industrial, a companhia estabeleceu uma parceria com o Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), unidade do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) em Campinas, focando no uso de biotecnologia industrial.
O desenvolvimento tecnológico ocorre sob o modelo de fomento da Embrapii, que utiliza a contratação direta entre empresas e unidades credenciadas para acelerar a entrega de pesquisas ao mercado. A estratégia da Fralía foca no *upcycling* de alimentos, tentando superar barreiras de custo, escala e aceitação do consumidor ao reposicionar materiais de baixo valor como ingredientes nutricionais.
O movimento ocorre em um cenário onde o Brasil mantém relevância global na produção de cacau, com destaque para Pará e Bahia, participação do Espírito Santo e expansão da cultura em Minas Gerais. A diversificação do uso do fruto, reduzindo a dependência exclusiva da amêndoa para a fabricação de chocolate, pode alterar a logística e a remuneração da cadeia produtiva, aumentando a eficiência econômica para a indústria e para os produtores.