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Suécia reduz uso de dispositivos digitais e prioriza livros impressos nas salas de aula

21 de Abril de 2026 às 18:07

A Suécia retomou o uso de livros impressos e escrita manual nas escolas após a queda de desempenho em leitura e matemática no Pisa 2022. O governo limitou o uso de dispositivos digitais, especialmente para crianças, e planeja proibir celulares na educação obrigatória até 2026. A medida inclui investimentos em materiais didáticos e reforço nas bibliotecas escolares

A Suécia está revertendo sua estratégia educacional ao reduzir a dependência de dispositivos digitais nas salas de aula e retomar a prioridade ao uso de livros impressos, papel e escrita manual. A mudança de rumo ocorre após a queda do desempenho do país em leitura e matemática no Pisa 2022, exame da OCDE. O governo sueco agora defende que a recuperação de habilidades básicas, como a concentração e a compreensão textual, deve ser o eixo central do aprendizado, especialmente entre os alunos mais jovens.

Os dados do Pisa 2022 revelaram que 24% dos estudantes suecos de 15 anos ficaram abaixo do nível básico de proficiência em leitura, embora 76% tenham atingido o patamar mínimo adequado para a participação plena na sociedade e o país ainda supere a média da OCDE em ciências, matemática e leitura. Esse diagnóstico impulsionou medidas que incluem a obrigatoriedade de materiais impressos e a ampliação de investimentos em livros didáticos entre 2023 e 2025, com ajustes na legislação para garantir o acesso a esses recursos.

A reestruturação atinge desde a pré-escola, onde a exigência de ferramentas digitais foi removida e crianças menores de dois anos devem utilizar apenas recursos analógicos. Nas demais faixas etárias iniciais, o uso de eletrônicos tornou-se fortemente limitado. O novo modelo exige que qualquer uso de tecnologia em sala de aula tenha uma justificativa pedagógica clara, sob a premissa de que o cálculo, a atenção e a escrita se desenvolvem com maior eficiência em ambientes analógicos.

Essa transição já é visível em regiões como Nacka, em Estocolmo, onde estudantes relatam a substituição gradual de plataformas digitais por apostilas e textos impressos. Complementando a estratégia, o governo planeja tornar as escolas livres de celulares na educação obrigatória, com a previsão de recolher os aparelhos durante o período letivo até o outono de 2026, visando reduzir distrações que prejudicam o desempenho escolar, especialmente em matemática.

A revisão do modelo, que havia expandido laptops e plataformas digitais desde o fim dos anos 2000, também considera a falta de preparo docente: 39% das escolas suecas não possuíam professores de matemática capacitados para integrar a tecnologia ao ensino. Para apoiar a nova fase, houve o reforço nas bibliotecas escolares e a contratação de profissionais especializados para estimular hábitos de leitura.

Apesar da direção governamental, a medida enfrenta resistência de setores da academia e da tecnologia. O argumento central dos críticos é que a redução de telas pode prejudicar a inserção dos jovens em um mercado de trabalho onde 90% das vagas exigem competências digitais. Em um país que é polo de inovação na Europa, a decisão de introduzir o ensino de Inteligência Artificial apenas nas séries finais gera debates sobre a possibilidade de ampliar desigualdades, já que alunos de famílias com mais recursos teriam acesso a esse conhecimento fora da escola.

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