Tecnologia

A tecnologia de pisos piezoelétricos gera energia elétrica a partir da circulação de pedestres

15 de Abril de 2026 às 16:27

Ladrilhos piezoelétricos convertem a pressão de pedestres em energia elétrica para alimentar sistemas de iluminação e sensores. A tecnologia, implementada inicialmente em Tóquio e expandida pela Pavegen para 45 países, agora é estudada para aplicação em rodovias

A transformação do movimento de pedestres em eletricidade deixou de ser um conceito teórico para se tornar uma aplicação prática em centros urbanos de alta densidade. O marco inicial dessa implementação ocorreu em dezembro de 2008, na Estação de Shibuya, em Tóquio, onde a instalação de ladrilhos piezoelétricos permitiu converter a pressão mecânica dos passos em energia elétrica, alimentando painéis de LED e sistemas de iluminação em tempo real.

O funcionamento da tecnologia baseia-se no efeito piezoelétrico, fenômeno no qual a deformação de materiais específicos, causada pela pressão de quem pisa, gera uma diferença de potencial elétrico. Essa carga é capturada por circuitos internos e convertida em corrente utilizável. Embora a potência instantânea de cada passo seja pequena, variando entre 2 e 8 watts dependendo do peso e da velocidade do indivíduo, a eficiência do sistema é maximizada em locais de fluxo intenso. Na experiência de Shibuya, a energia acumulada em 20 dias de operação foi capaz de alimentar milhares de televisores por um período limitado, validando a tecnologia como uma solução complementar para dispositivos de baixa potência.

A expansão desse modelo foi impulsionada pela empresa Pavegen, que levou a solução para mais de 45 países, aplicando-a em hubs de transporte, projetos urbanos e pistas de dança. Diferente de fontes renováveis como a solar ou a eólica, a geração piezoelétrica independe de fatores climáticos, operando de forma constante desde que haja circulação de pessoas.

Atualmente, a energia produzida é consumida localmente para alimentar sensores, telas informativas e iluminação LED, funcionando como uma microfonte de energia distribuída que reduz perdas de transmissão e se integra a projetos de cidades inteligentes. Além da eletricidade, esses sistemas atuam na coleta de dados sobre o comportamento e o fluxo de pedestres, agregando valor ao planejamento urbano.

A aplicação da piezoeletricidade agora busca extrapolar o movimento humano. A Comissão de Energia da Califórnia financia pesquisas para a instalação de sistemas semelhantes em rodovias, visando aproveitar o peso dos veículos. Paralelamente, as universidades Purdue e Rutgers estudam a integração de transdutores ao asfalto para capturar a energia do tráfego automotivo.

Essa evolução redefine a função de infraestruturas como calçadas, aeroportos e estações, que deixam de ser meros locais de passagem para se tornarem superfícies ativas. Ao incorporar atividades cotidianas na matriz energética urbana, a tecnologia abre caminho para uma gestão de energia mais descentralizada e eficiente nas cidades.

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