Havaí utiliza água fria do fundo do oceano para reduzir consumo de energia em climatização
O Havaí utiliza água fria de profundezas oceânicas para climatizar prédios em Kailua Kona, reduzindo o consumo elétrico em até 70%. A tecnologia emprega trocadores de calor e tubulações submarinas, mas a expansão para escala urbana em Honolulu foi cancelada em 2020 por altos custos de implementação
O Havaí implementou um sistema de climatização que utiliza a água fria das profundezas do oceano para reduzir a dependência de compressores de ar condicionado tradicionais. A tecnologia, conhecida como climatização por água do mar, substitui a fabricação artificial de baixa temperatura por um recurso natural, diminuindo drasticamente o consumo de energia elétrica em regiões tropicais, onde a demanda por refrigeração é constante e onerosa.
A operação prática ocorre em Kailua Kona, dentro de um parque tecnológico dedicado a recursos oceânicos. Nesse local, tubulações submarinas captam a água gelada do fundo do mar e a transportam para instalações em terra. O Natural Energy Laboratory of Hawaii Authority, laboratório estadual de energia oceânica, já utiliza esse recurso para resfriar prédios administrativos.
O funcionamento do sistema baseia-se em trocadores de calor: a água salgada não circula nos ambientes, mas resfria um circuito secundário de água limpa, que é então distribuído para escritórios e quartos. Embora o sistema ainda exija eletricidade para bombas e controles, a eliminação de grande parte do esforço dos compressores pode gerar uma economia de energia próxima a 70% em projetos de grande porte.
A geografia das ilhas vulcânicas favorece a implementação, pois a profundidade do mar é alcançada rapidamente perto da costa, reduzindo a extensão necessária das tubulações. Esse cenário torna a tecnologia atraente para grandes consumidores, como resorts e centros comerciais. O Hilton Hawaiian Village Waikiki Beach Resort, em Honolulu, exemplifica o perfil de empreendimento que se beneficiaria da solução, dado que complexos hoteleiros com alta ocupação e múltiplas áreas climatizadas enfrentam custos operacionais elevados com energia.
A tentativa de expandir essa lógica para escala urbana ocorreu em Honolulu, com um projeto para criar uma rede centralizada de resfriamento para edifícios públicos e comerciais. A proposta previa uma capacidade de 25 mil toneladas de resfriamento e a redução do consumo elétrico entre 70% e 75%. No entanto, o plano foi cancelado em 2020 devido ao aumento expressivo nos custos de implementação.
O caso de Honolulu evidenciou que, apesar da viabilidade operacional e da economia financeira a longo prazo, a barreira principal é a infraestrutura inicial. A instalação exige tubulações resistentes à corrosão, estudos de correntes marítimas, licenciamento ambiental e gestão do retorno da água ao oceano, o que demanda alto capital e coordenação complexa.
Enquanto a operação em Kailua Kona comprova a eficácia técnica em prédios reais, a experiência urbana em Honolulu demonstra os desafios de escala. A tecnologia posiciona o oceano como uma infraestrutura energética invisível, capaz de alterar a margem financeira e a competitividade de grandes estruturas costeiras ao reduzir o peso do resfriamento no custo operacional.