Ciência

Agência japonesa planeja missão para coletar amostras das luas de Marte e trazê-las à Terra

17 de Abril de 2026 às 16:11

A JAXA pretende enviar no ano fiscal de 2026 a missão MMX para obter amostras de Fobos e Deimos, com meta de retorno de mais de 10 gramas de material. A operação, que conta com a NASA, ESA, CNES e DLR, empregará o foguete H3 e o rover IDEFIX. A recuperação ocorrerá na Austrália no ano fiscal de 2031

A Agência Espacial Japonesa (JAXA) planeja a missão Martian Moons eXploration (MMX), que visa investigar a origem das luas de Marte, Fobos e Deimos, por meio de uma operação de coleta e retorno de amostras à Terra. O objetivo central é resolver a incerteza científica sobre se esses satélites surgiram de detritos de um impacto massivo em Marte ou se foram capturados pela gravidade do planeta vindos de outras regiões do Sistema Solar. A análise física de rochas e regolito permitirá compreender a evolução do sistema marciano e o deslocamento de compostos orgânicos e água entre as zonas interna e externa do espaço.

Para viabilizar a operação, a MMX utiliza uma arquitetura composta por módulo de exploração, sistema de amostragem e cápsula de reentrada. A meta é trazer mais de 10 gramas de material para análise em laboratórios terrestres. Além da coleta, a nave operará com onze instrumentos científicos para mapear a topografia, a composição, a estrutura interna e o campo gravitacional de Fobos, além de monitorar Deimos e a atmosfera de Marte.

A operação contará com o rover IDEFIX, desenvolvido em parceria entre o Centro Nacional de Estudos Espaciais da França (CNES) e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR). O veículo pousará em Fobos para analisar o terreno e garantir a segurança da nave-mãe antes da etapa de amostragem, servindo como uma medida prática de redução de riscos.

O cronograma prevê o lançamento no ano fiscal de 2026, utilizando o foguete H3 a partir do Centro Espacial de Tanegashima. Após chegar ao sistema marciano em cerca de um ano, a missão executará aproximadamente três anos de atividades científicas. A separação da cápsula de reentrada deve ocorrer no ano fiscal de 2031, com a recuperação do material programada para a Austrália.

Devido à baixa gravidade de Fobos, a JAXA adotará uma estratégia operacional rigorosa: a nave permanecerá em órbita quase estacionária para realizar observações remotas e liberar o IDEFIX antes de avançar para a sequência de pouso e coleta. A definição do ponto exato de amostragem dependerá desses dados prévios, buscando o local com maior valor científico e segurança.

O projeto é uma cooperação internacional que envolve a NASA e a ESA, além do CNES e DLR. Para a JAXA, a MMX funciona como uma plataforma para aprimorar comunicações de espaço profundo, técnicas de amostragem e a capacidade de realizar viagens de ida e volta a corpos planetários pequenos, consolidando competências para futuras missões robóticas a destinos mais distantes.

Os resultados laboratoriais poderão definir a história do sistema marciano. Se as amostras indicarem que Fobos é um corpo capturado, confirma-se que Marte reteve objetos de regiões remotas do Sistema Solar. Caso a composição aponte para detritos de impacto, a descoberta ajudará a reconstruir a fase violenta de formação do planeta. Em ambos os cenários, os dados oferecerão pistas sobre a circulação de matéria e as condições que moldaram os planetas rochosos.

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