Dinossauro identificado no Maranhão indica migração entre a América do Sul e a Europa
O Dasosaurus tocantinensis, dinossauro herbívoro de 20 metros e com datação de 120 milhões de anos, foi identificado no Maranhão. A espécie possui parentesco com o Garumbatitan morellensis, da Espanha, segundo pesquisa publicada em março de 2026 no *Journal of Systematic Palaeontology
Um dinossauro herbívoro de aproximadamente 20 metros de comprimento, batizado de *Dasosaurus tocantinensis*, foi identificado no interior do Maranhão. O animal viveu há 120 milhões de anos e sua descoberta indica que gigantes desse grupo migraram entre a América do Sul e a Europa enquanto os continentes ainda possuíam conexões terrestres.
O achado ocorreu em 2021, próximo a Davinópolis, durante o monitoramento paleontológico obrigatório de obras em um terminal rodoferroviário. Operários localizaram inicialmente um osso de 1,5 metro, o que levou a equipe científica a realizar escavações progressivas para recuperar o restante dos fósseis.
Além do fêmur, os pesquisadores extraíram costelas, vértebras da cauda, ossos do pé, pelve, tíbia, fíbula e do antebraço. Os remanescentes estavam preservados na Formação Itapecuru, camada do Cretáceo Inferior datada do período Aptiano. O tamanho estimado do espécime baseia-se na dimensão do fêmur e em comparações com espécies semelhantes, embora a ausência de um esqueleto completo mantenha uma margem de erro na projeção.
O *Dasosaurus tocantinensis* pertence aos titanossauriformes, saurópodes de pescoço longo. O nome reflete a localização do achado: "Dasosaurus" remete ao dinossauro da floresta, em alusão à Amazônia Legal, enquanto "tocantinensis" refere-se à região tocantina. O animal apresenta características únicas, como uma saliência no fêmur e três cristas nas vértebras da cauda, posicionando-se como um elo intermediário entre os titanossauros basais e os avançados que dominaram a América do Sul no final do Cretáceo.
A análise filogenética apontou que a espécie é o parente mais próximo do *Garumbatitan morellensis*, encontrado na Espanha. Essa semelhança, observada especialmente no fêmur e nas vértebras da cauda, comprova que rotas terrestres via África permitiam o deslocamento de herbívoros entre o Maranhão e a Península Ibérica antes da separação definitiva dos continentes.
A pesquisa foi liderada por Elver Mayer, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), com a colaboração de Leonardo Kerber, da UFSM, e Manuel Alfredo, da UFMA. Os resultados foram publicados em março de 2026 no *Journal of Systematic Palaeontology*. O estudo reforça o potencial do Nordeste e do Maranhão como polos de paleontologia, integrando-se a outros padrões de dispersão de saurópodes gondwânicos já observados.