Vômito fossilizado de 290 milhões de anos é identificado por pesquisadores na Alemanha
Na Alemanha, pesquisadores de Berlim localizaram a evidência terrestre mais antiga de vômito fossilizado, datada de 290 milhões de anos. O material, detalhado na revista Scientific Reports em março de 2026, foi achado no sítio de Bromacker. A amostra contém 41 fragmentos ósseos de três indivíduos de Eudibamus e *Thuringothyris
Paleontólogos do Museum für Naturkunde de Berlim identificaram, em uma rocha na Alemanha, o registro mais antigo de vômito fossilizado em ambiente terrestre. O material, datado de 290 milhões de anos, oferece dados sobre o comportamento de predadores de topo 50 milhões de anos antes do surgimento dos dinossauros. O achado, detalhado em estudo publicado em 2 de março de 2026 na revista Scientific Reports, do grupo Nature, foi localizado no sítio paleontológico de Bromacker, situado no Geoparque Inselsberg, na Turíngia.
O objeto, catalogado como nódulo MNG 17001, possui 5 centímetros de diâmetro e abriga 41 fragmentos ósseos, todos com menos de 2 centímetros. A análise por meio de scanner de alta precisão permitiu a tomografia do nódulo sem destruí-lo, revelando alinhamentos que comprovam a passagem dos ossos pelo sistema digestório. A classificação técnica como regurgitalito, em vez de coprólito (fezes fossilizadas), foi confirmada pelo baixo teor de fósforo e pela ausência de matriz sedimentar típica de processos de digestão completa.
Os fragmentos recuperados, que incluem partes de mandíbula, crânio e membros, pertencem a pelo menos três indivíduos de diferentes espécies. Foram identificados como *Eudibamus* e *Thuringothyris*, tetrápodes reptilianos ágeis que habitavam as planícies fluviais do Permiano alemão e se alimentavam de material vegetal e insetos. A análise indica que o predador consumiu as três presas em uma única refeição e expulsou os resíduos indigestos rapidamente, antes que os sucos gástricos os dissolvessem.
A identidade do caçador ainda é trabalhada como hipótese, baseada na anatomia de mandíbulas, espécies locais e tamanho dos fragmentos. Os principais suspeitos são dois sinapsídeos, ancestrais dos mamíferos: o *Dimetrodon teutonis*, um dos maiores vertebrados terrestres do início do Permiano e detentor de uma vela dorsal, ou o *Tambacarnifex unguifalcatus*, predador menor com garras afiadas e mandíbulas robustas.
A descoberta sugere que os predadores de topo do início do Permiano atuavam como carnívoros generalistas e oportunistas, incluindo pequenos vertebrados em seu cardápio. Esse comportamento diverge de parte da literatura paleontológica, que costuma descrever esses animais como caçadores especializados em presas grandes. Mark MacDougall, professor da Brandon University, afirma que o registro amplia o conhecimento sobre a dieta de sinapsídeos primitivos.
A preservação excepcional do material é atribuída às condições geológicas de Bromacker. A região, composta por camadas de planícies de inundação sazonais, favorecia o soterramento veloz de organismos por lodo fino e sedimentos durante as cheias dos rios.
O nódulo MNG 17001 encontra-se atualmente na Friedenstein Stiftung, em Gotha. A equipe de pesquisa ressalta que, por documentar um evento alimentar isolado, o achado não permite a generalização da dieta de toda a fauna predatória do Permiano, motivo pelo qual o material passará por novas análises nos próximos meses para refinar as conclusões.