Ciência

Equipe tcheca encontra tumba de oficial que serviu a seis faraós no Egito Antigo

17 de Abril de 2026 às 10:57

Arqueólogos da Universidade Charles de Praga encontraram o sepulcro de Ptahshepses em Abusir-Saqqara no período de 2022 a 2023. A operação utilizou mapas e imagens de satélite, recuperando cerâmicas, um peixe mumificado e a múmia de um homem com no mínimo 65 anos

Arqueólogos do Instituto Tcheco de Egiptologia, vinculado à Universidade Charles de Praga, localizaram a tumba de Ptahshepses na região de Abusir-Saqqara. A redescoberta foi possível após a combinação de mapas antigos e imagens de satélite, com as escavações ocorrendo entre 2022 e 2023. A câmara funerária foi especificamente examinada na primavera de 2023.

Ptahshepses atuou como um alto oficial durante a transição entre a 4ª e a 5ª Dinastias do Antigo Reino. Educado na corte do faraó Menkaura, o último rei construtor de pirâmides em Gizé, ele serviu a seis monarcas consecutivos: Menkaura, Shepseskaf, Userkaf, Sahura, Neferirkara e Nyuserre. Sua posição na administração do Estado foi fortalecida pelo casamento com Khamaat, filha do faraó Userkaf.

A estrutura funerária é considerada um elo evolutivo entre as mastabas simples das primeiras dinastias e os complexos familiares posteriores, documentando a mudança nas práticas de mumificação e sepultamento da época. No interior da câmara, a equipe encontrou uma múmia completa, posicionada de costas em um sarcófago parcialmente aberto. Análises antropológicas confirmaram que o homem morreu com pelo menos 65 anos. Além do corpo, foram recuperados jarros canópicos para a preservação de órgãos, cerâmicas e oferendas votivas. Um registro inédito para esse contexto arqueológico foi a descoberta de uma múmia de peixe.

A capela de entrada preserva hieróglifos e pinturas coloridas que detalham a carreira política de Ptahshepses. A arquitetura do local inclui dois serdabs — salas seladas para estátuas — e um corredor de acesso com bloqueio de pedra calcária. Embora a tumba tenha sido saqueada na antiguidade, resultando na perda de joias e tesouros, o equipamento funerário básico permaneceu intacto.

O sítio já havia sido visitado na década de 1860 pelo estudioso francês Auguste Mariette. Na ocasião, ele removeu o lintel e a falsa porta do sepulcro, peças que foram transferidas para o British Museum, em Londres. Após essa intervenção, a mastaba foi novamente coberta pelas areias do Deserto Ocidental. A falsa porta é de extrema relevância para a egiptologia por conter uma biografia detalhada em primeira pessoa, narrando a trajetória de Ptahshepses desde a infância na corte real até a ascensão ao poder.

A descoberta se soma a outros achados recentes na região, como a mastaba monumental revelada por uma missão espanhola-egípcia em Saqqara e as dez mil múmias douradas do Oásis de Bahariya. A missão tcheca, liderada por Miroslav Bárta e Renata Landgráfová, recebeu financiamento do American Research Center in Egypt. As escavações continuam com o objetivo de obter novas informações sobre a família do oficial e o período histórico em que viveu, embora a confirmação da identidade da múmia baseie-se, até o momento, no contexto biográfico e na idade, sem a publicação de resultados de DNA.

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