Cientistas descobrem anticorpos humanos que impedem a infecção causada pelo vírus Epstein-Barr
Anticorpos humanos que impedem a infecção pelo vírus Epstein-Barr foram localizados por cientistas do Fred Hutch Cancer Center, nos EUA. A Cell Reports Medicine publicou o estudo em fevereiro de 2026, detalhando a produção de dez anticorpos monoclonais em camundongos. Um anticorpo contra a proteína gp42 evitou a infecção, enquanto outro contra a gp350 gerou proteção parcial
Pesquisadores do Fred Hutch Cancer Center, nos Estados Unidos, identificaram anticorpos humanos capazes de bloquear a infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV). O avanço, detalhado em fevereiro de 2026 na revista Cell Reports Medicine, representa a localização de um ponto de vulnerabilidade do patógeno, que historicamente consegue escapar do controle imunológico ao se ligar a células do organismo.
A investigação focou em duas proteínas da superfície viral: a gp350, responsável pela ligação do vírus às células humanas, e a gp42, que atua na fusão e entrada do agente no hospedeiro. Para testar a eficácia, a equipe utilizou camundongos geneticamente modificados para produzir anticorpos humanos, resultando na criação de dez anticorpos monoclonais neutralizantes. Desses, oito foram direcionados à gp42 e dois à gp350. Os testes em camundongos humanizados revelaram que um dos anticorpos contra a gp42 impediu a infecção, enquanto um voltado para a gp350 proporcionou proteção parcial.
O Epstein-Barr, membro da família dos herpesvírus, é transmitido principalmente pela saliva e infecta mais de 90% da população adulta, permanecendo no corpo de forma latente por toda a vida. Embora seja amplamente conhecido por causar a mononucleose infecciosa, o vírus está associado ao risco de esclerose múltipla e de neoplasias, como câncer gástrico, câncer nasofaríngeo e alguns tipos de linfomas. No entanto, a presença do vírus no organismo não implica necessariamente no desenvolvimento dessas doenças, o que ocorre na maioria dos casos.
Atualmente, não existem vacinas aprovadas ou tratamentos que eliminem o EBV do corpo. Por isso, a comprovação de que é possível bloquear a infecção abre caminho para o desenvolvimento de imunizantes mais eficazes e terapias preventivas. Um grupo prioritário para essa aplicação são os pacientes submetidos a transplantes de medula óssea ou órgãos, que utilizam medicamentos imunossupressores. Nesses casos, a reativação do vírus pode causar a doença linfoproliferativa pós-transplante (PTLD), uma complicação grave e potencialmente fatal.
A estratégia proposta consiste no uso de infusões de anticorpos monoclonais para criar uma barreira imediata contra o vírus, especialmente em crianças transplantadas que ainda não tiveram contato com o patógeno.
Apesar dos resultados positivos em testes pré-clínicos, a descoberta não se traduz em cura imediata ou medicamento disponível. O próximo passo exige a realização de novos estudos para determinar a dosagem ideal, a duração do efeito e a segurança da terapia em seres humanos. O achado altera a abordagem científica sobre o vírus, movendo a pesquisa da fase de descrição de riscos para a implementação de intervenções precisas contra a infecção.