Espécies de fungos resistem a condições de missões espaciais rumo a Marte, indica estudo
Pesquisadores dos Estados Unidos e da Alemanha identificaram que esporos de fungos, especialmente o Aspergillus calidoustus, resistem a condições de missões espaciais a Marte. O estudo, publicado na revista Applied and Environmental Microbiology, testou microrganismos de salas limpas da NASA sob radiação, variações térmicas e pressão atmosférica. Os resultados auxiliam no aprimoramento dos protocolos de proteção planetária contra a contaminação biológica
Pesquisadores de universidades dos Estados Unidos e da Alemanha identificaram que certas espécies de fungos possuem esporos capazes de resistir a todas as etapas de uma missão espacial rumo a Marte. O estudo, publicado em 20 de abril na revista *Applied and Environmental Microbiology*, analisou microrganismos em salas limpas da NASA — ambientes rigorosamente esterilizados onde ocorre a montagem e o teste de espaçonaves para evitar a contaminação biológica de outros planetas.
A investigação revelou que, mesmo sob procedimentos severos de descontaminação, alguns fungos mantêm alta resiliência. Para testar essa capacidade, a equipe isolou esporos de 27 tipos de fungos, além de uma bactéria e um fungo já detectados anteriormente em espaçonaves e conhecidos pela resistência à radiação. Essas amostras foram submetidas a simulações das condições enfrentadas em viagens espaciais e na superfície marciana.
O fungo *Aspergillus calidoustus* apresentou o maior nível de resistência entre todos os organismos testados. Seus esporos sobreviveram a variações de temperatura, baixa pressão atmosférica e radiação ionizante e ultravioleta. O microrganismo também resistiu à exposição ao regolito marciano e à radiação do planeta vermelho por quase 1.500 minutos, além de suportar técnicas de desinfecção de naves e radiação de nêutrons. Apenas a combinação simultânea de alta radiação e temperaturas extremamente baixas foi eficaz para eliminar os esporos do *A. calidoustus*.
Kasthuri Venkateswaran, microbiologista e ex-cientista sênior do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e autor principal do trabalho, pontuou que a descoberta não torna a contaminação de Marte provável, mas permite quantificar melhor os riscos de sobrevivência microbiana diante da resiliência extraordinária desses organismos.
Os dados indicam que o *A. calidoustus* pode não apenas sobreviver ao trajeto espacial, mas potencialmente se propagar em outros planetas, representando um desafio para a proteção planetária — conjunto de normas que visa impedir a contaminação cruzada entre a Terra e corpos celestes. Os pesquisadores ressaltaram que esporos fúngicos costumam receber menos atenção do que os bacterianos nos protocolos de limpeza. De acordo com Venkateswaran, as conclusões auxiliam no aprimoramento das estratégias de avaliação de risco microbiano e de proteção planetária da NASA para missões de exploração atuais e futuras.