Ciência

Estudo indica que a Terra terá oxigênio para vida complexa por 1,08 bilhão de anos

16 de Abril de 2026 às 19:10

Kazumi Ozaki e Christopher T. Reinhard estimam, em artigo na Nature Geoscience, que a atmosfera terrestre permita a existência de vida complexa por 1,08 bilhão de anos, com margem de 0,14 bilhão. Apoiado pela NASA, o trabalho associa a desoxigenação ao aumento da luminosidade solar e à queda de dióxido de carbono. A análise utilizou 400 mil simulações de modelos climáticos e biogeoquímicos

A atmosfera da Terra, com níveis de oxigênio capazes de sustentar a vida complexa, deve permanecer viável por aproximadamente 1,08 bilhão de anos, com uma margem de incerteza de 0,14 bilhão de anos. O estudo, publicado na Nature Geoscience por Kazumi Ozaki e Christopher T. Reinhard, indica que esse prazo é significativamente menor do que as projeções populares baseadas apenas na transformação do Sol em uma gigante vermelha.

A redução do oxigênio é impulsionada pelo envelhecimento do Sol. Com o aumento gradual da luminosidade da estrela, a química planetária é alterada, impactando os ciclos de equilíbrio atmosférico. Especificamente, o ciclo de carbonatos e silicatos tende a diminuir a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera ao longo do tempo geológico, o que prejudica a fotossíntese e resulta em uma desoxigenação abrupta, em vez de uma queda linear.

Esse processo de perda de oxigênio deve ocorrer antes mesmo da fase de efeito estufa úmido, estágio em que a atmosfera retém mais vapor d'água e o planeta avança para a perda de água superficial. Enquanto a fase de gigante vermelha do Sol é esperada para daqui a cerca de 5 bilhões de anos, o limite biológico para a respiração aeróbica acontece muito antes, definindo a fronteira da habitabilidade da Terra para organismos complexos.

Para chegar a esses números, os pesquisadores, que contaram com apoio parcial do programa de Astrobiologia da NASA, utilizaram um modelo que integra evolução atmosférica, biogeoquímica e clima. A análise baseou-se em uma abordagem estatística com cerca de 400 mil simulações, filtrando cenários compatíveis com as condições atuais para avaliar parâmetros dos oceanos, da atmosfera, do interior da Terra e a resposta do sistema climático ao aumento da luminosidade solar.

O cenário futuro projeta uma atmosfera semelhante à da Terra primitiva, caracterizada por baixíssimos níveis de oxigênio, maior presença de metano e a ausência de uma camada de ozônio comparável à atual. Tais condições tornam a superfície hostil para animais e outros organismos que dependem do ar como ele é conhecido hoje.

A descoberta altera a compreensão sobre a habitabilidade planetária, evidenciando que a sobrevivência de formas de vida complexas depende da manutenção de condições bioquímicas, e não apenas da integridade física do planeta. Esse dado alerta astrônomos sobre o uso do oxigênio atmosférico como sinal definitivo de vida em exoplanetas, sugerindo que mundos habitáveis podem existir mesmo com baixas concentrações desse gás, o que demanda a consideração de outros indicadores químicos na busca por vida fora do Sistema Solar.

O trabalho não visa prever o futuro da civilização humana, de sua tecnologia ou de sua adaptação, focando exclusivamente na viabilidade da biosfera em escala geológica. A pesquisa é apresentada pela NASA como um estudo de astrobiologia, e não como um anúncio de destruição iminente do planeta.

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