Ciência

Estudo sugere que buracos negros de um universo anterior podem ter sobrevivido ao Big Bang

20 de Abril de 2026 às 08:30

Estudo da Universidade de Portsmouth, publicado na Physical Review D, propõe que buracos negros de um universo anterior sobreviveram ao Big Bang. Tais objetos teriam acelerado a formação de galáxias massivas precoces e poderiam constituir a maior parte da matéria escura

Um estudo publicado em fevereiro de 2026 na revista Physical Review D propõe que buracos negros originados em um universo anterior podem ter sobrevivido ao Big Bang. A pesquisa, conduzida por Enrique Gaztanaga, do Instituto de Cosmologia e Gravitação da Universidade de Portsmouth, sugere que esses objetos, denominados buracos negros relíquias, desempenhariam um papel fundamental na estrutura do cosmos atual.

A hipótese baseia-se na análise de "pequenos pontos vermelhos" detectados pelo Telescópio Espacial James Webb. Embora o nome sugira dimensões reduzidas, tratam-se de galáxias massivas, com volume estelar comparável ao da Via Láctea, que surgiram apenas algumas centenas de milhões de anos após o Big Bang. A existência precoce dessas estruturas desafia os modelos tradicionais de formação galáctica, levando astrônomos a classificá-las como "quebradores do universo". Para Gaztanaga, buracos negros relíquias teriam atuado como sementes gravitacionais, acelerando a complexidade e a formação dessas galáxias prematuras.

O modelo teórico apresentado é o do "Grande Rebote", no qual o universo não surge de uma singularidade absoluta, mas opera em ciclos de contração e expansão. Nesse cenário, o universo anterior teria entrado em colapso antes de se recuperar e iniciar a expansão do ciclo atual. De acordo com os cálculos do pesquisador, objetos com mais de 90 metros de diâmetro, como flutuações de densidade, ondas gravitacionais e buracos negros, teriam a capacidade de atravessar essa transição.

A sobrevivência dessas estruturas densas seria possível devido a princípios da física, como a pressão de degenerescência de nêutrons e o princípio de exclusão de Pauli, que impediriam que esses objetos colapsassem totalmente em direção ao epicentro do rebote. Além dos que já existiam, o estudo indica que novos buracos negros poderiam ter sido gerados durante a fase de contração, quando a gravidade crescente teria provocado o colapso de galáxias giratórias e halos difusos de matéria.

Essa abundância de buracos negros relíquias oferece uma nova perspectiva sobre a matéria escura. O estudo argumenta que, se esses mecanismos de preservação e criação forem comuns, existiria uma população vasta de buracos negros solitários ou ocultos. Essa massa gravitacional invisível poderia constituir a maior parte do que hoje é atribuído à matéria escura, servindo como uma alternativa às teorias que buscam partículas fundamentais, como áxions, fótons escuros ou WIMPs. O trabalho conclui que o universo pode ter passado por processos de regeneração, deixando vestígios de ciclos passados que moldam a distribuição de massa no cosmos contemporâneo.

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