Ciência

Fóssil de 500 milhões de anos indica surgimento precoce de aranhas e escorpiões

15 de Abril de 2026 às 16:34

Pesquisadores de Harvard catalogaram o Megachelicerax cousteaui, o registro temporalmente mais precoce de um quelicerado, com 500 milhões de anos. O espécime de 8,1 centímetros, originário de Utah, foi divulgado pelo periódico Nature em 1º de abril de 2026. O achado torna a origem do grupo 20 milhões de anos mais remota

Paleontólogos de Harvard identificaram o Megachelicerax cousteaui, o quelicerado mais antigo já registrado. O predador marinho viveu durante a Explosão Cambriana, há 500 milhões de anos, o que antecipa em 20 milhões de anos a origem de grupos como aranhas e escorpiões. O estudo sobre o animal, batizado em homenagem ao explorador Jacques Cousteau, foi publicado na revista Nature em 1º de abril de 2026.

Com 8,1 centímetros de comprimento, o espécime apresenta quelíceras volumosas compostas por três segmentos em formato de pinça, característica distintiva dos quelicerados. A anatomia inclui seis pares de apêndices na cabeça, utilizados para sensoriamento e alimentação, além de estruturas respiratórias laminares sob o corpo, semelhantes às brânquias de caranguejos-ferradura modernos.

A análise conduzida por Rudy Lerosey-Aubril e Javier Ortega-Hernández indica que a divisão do corpo em duas regiões e a presença de quelíceras evoluíram antes que os apêndices adquirissem a forma das pernas de aranhas atuais. Essa evidência demonstra que, no meio do Cambriano, período de altas taxas evolutivas, os oceanos já eram habitados por artrópodes com complexidade anatômica comparável a formas modernas. A espécie funciona como um elo entre os artrópodes cambrianos e os synziphosurines ordovicianos, reconciliando hipóteses divergentes sobre a evolução do grupo.

O fóssil foi coletado na década de 1980, na Formação Wheeler, situada no deserto de Utah, mas permaneceu sem a identificação correta por mais de 40 anos. Até então, os quelicerados mais antigos conhecidos datavam de 480 milhões de anos e haviam sido encontrados no Biota Fezouata, em Marrocos.

Do ponto de vista ecológico, a descoberta revela que os quelicerados levaram milhões de anos para dominar seu ambiente, sendo inicialmente superados pelos trilobitas antes de colonizarem a terra firme.

Devido à existência de apenas um espécime, a interpretação dos dados é limitada, especialmente porque a reconstrução de partes moles foi inferida. O estudo permanece sujeito a revisões e ao refinamento por meio de novos achados fósseis.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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