Ciência

Múmia da dinastia Han é encontrada na China com órgãos e pele preservados

28 de Abril de 2026 às 06:14

A múmia de Xin Zhui, encontrada em 1971 em Changsha, preservou órgãos, pele e sangue do tipo A devido a uma tumba hermética da dinastia Han. Análises indicam que a nobre morreu por volta de 163 a.C. em decorrência de um ataque cardíaco. O corpo e mais de mil artefatos estão no Museu Provincial de Hunan

A descoberta da múmia de Xin Zhui, ocorrida em 1971 em Changsha, revelou um dos casos mais raros da arqueologia global devido ao estado excepcional de conservação do corpo. Encontrada por operários durante a construção de um abrigo antiaéreo, a nobre, conhecida como Lady Dai, estava depositada em uma tumba monumental datada da dinastia Han, período compreendido entre 206 a.C. e 220 d.C.

O corpo apresentava características incomuns para a antiguidade, como pele macia, elasticidade semelhante a de um cadáver recente e articulações móveis. Cabelos, cílios e sobrancelhas permaneceram intactos, enquanto os órgãos internos foram preservados. Durante a autópsia, a presença de sangue do tipo A nas veias permitiu a realização de exames médicos detalhados.

As análises científicas indicaram que a morte de Xin Zhui ocorreu por volta de 163 a.C., provavelmente causada por um ataque cardíaco. O quadro clínico revelou obesidade, hipertensão, colesterol alto e problemas hepáticos, evidências de uma vida com excessos. No estômago, foram localizadas 138 sementes de melão, o que sugere que a fruta foi consumida cerca de uma hora antes do óbito, dado o tempo de digestão do alimento.

A preservação do corpo foi resultado de uma engenharia funerária complexa. A tumba foi construída em grande profundidade e selada hermeticamente para impedir a entrada de água e ar. O corpo foi envolto em 20 camadas de seda e acondicionado em quatro caixões de madeira encaixados. Além disso, a múmia foi imersa em um líquido levemente ácido com traços de magnésio, cuja composição exata ainda é estudada. A estrutura externa contou com camadas de carvão para absorver a umidade e argila compacta para isolar o ambiente, retardando a decomposição por mais de dois milênios.

O estado de conservação começou a se deteriorar assim que a abertura da tumba expôs o corpo ao oxigênio. Além dos remanescentes biológicos, o complexo funerário continha mais de mil artefatos, entre estatuetas de madeira representando servos, peças de laca, cosméticos e utensílios de luxo. Atualmente, Lady Dai permanece sob custódia do Museu Provincial de Hunan, servindo como fonte de estudos sobre a vida e as práticas funerárias da China antiga.

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