Ciência

Pesquisadores da Embrapa e da Fiocruz integram a lista Time 100 por inovações científicas aplicadas

20 de Abril de 2026 às 08:30

A lista Time 100 de 15 de abril de 2026 incluiu a agrônoma Mariangela Hungria, da Embrapa, e o geneticista Luciano Moreira, da Fiocruz. Hungria desenvolveu o uso de bactérias para reduzir fertilizantes sintéticos em 85% da soja brasileira, enquanto Moreira expandiu o método Wolbachia para combater arboviroses

A divulgação da lista Time 100, em 15 de abril de 2026, destacou a ciência aplicada brasileira com a inclusão da agrônoma e microbiologista Mariangela Hungria, da Embrapa, e do geneticista Luciano Moreira, da Fiocruz. O reconhecimento internacional reflete a transição de pesquisas laboratoriais para implementações de escala nacional, com impactos diretos na saúde pública e na produção agrícola.

No setor de saúde, Luciano Moreira foi reconhecido pela expansão do método Wolbachia no Brasil. A técnica consiste na introdução de uma bactéria, comum em diversos insetos mas ausente no *Aedes aegypti*, que dificulta o desenvolvimento de vírus no mosquito, reduzindo a transmissão de zika, chikungunya e dengue. O projeto, iniciado em 2012, atingiu a escala de maior biofábrica do mundo, com capacidade de produção de 100 milhões de ovos semanais. O objetivo é ampliar a proteção de 5 milhões para 140 milhões de pessoas em cerca de 40 municípios com alta incidência de arboviroses.

Os resultados práticos dessa tecnologia são evidenciados em Niterói, Rio de Janeiro, primeira cidade brasileira a implantar o método. Dados oficiais indicam uma redução de 88,8% nos casos de dengue no município. Em áreas com intervenção, as quedas registradas foram de 70% para dengue, 60% para chikungunya e 40% para zika.

Já na agricultura, Mariangela Hungria, listada entre os pioneiros da publicação, desenvolveu a utilização de bactérias do solo para que as plantas obtenham nitrogênio naturalmente. Essa tecnologia reduziu a dependência de fertilizantes sintéticos e químicos, impactando a sustentabilidade e os custos de produção. Atualmente, 85% da soja brasileira é cultivada com o uso desses microrganismos, abrangendo mais de 40 milhões de hectares.

A aplicação das soluções de Hungria gera uma economia anual estimada em US$ 25 bilhões para os produtores brasileiros e evita a emissão de 230 milhões de toneladas de carbono equivalente.

A presença de pesquisadores da Fiocruz e da Embrapa na lista Time 100 consolida a capacidade do Brasil em gerar inovação com aplicação prática e impacto social e econômico, transformando a gestão de crises urbanas de saúde e a eficiência do agronegócio em larga escala.

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