Ciência

Pesquisadores desenvolvem computador mecânico que dispensa o uso de energia elétrica

15 de Abril de 2026 às 08:15

Cientistas do St. Olaf College e da Universidade de Syracuse criaram um computador mecânico utilizando molas e barras de aço. O sistema opera lógica e memória via tensão física, sem uso de energia elétrica. A tecnologia resiste a agentes corrosivos, radiação e altas temperaturas

Pesquisadores do St. Olaf College e da Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos, desenvolveram um computador mecânico composto por barras de aço e molas. O sistema realiza operações de lógica e memória sem a necessidade de energia externa, substituindo chips e sinais elétricos por tensão mecânica e movimento físico.

A tecnologia se baseia no conceito de memória física, característica de materiais que retêm marcas de eventos anteriores, como ocorre com a borracha após ser comprimida ou esticada. Joey Paulsen, professor associado de física no St. Olaf College, fundamentou o projeto na possibilidade de materiais comuns processarem informações além de apenas registrar movimentos passados.

Para validar a proposta, a equipe montou três dispositivos distintos, cada um com uma função específica. Um deles atua como contador de puxões físicos, enquanto outro opera como uma porta lógica capaz de diferenciar entradas pares e ímpares. O terceiro componente funciona como um medidor que armazena a memória da força aplicada ao sistema. O conjunto prova que cálculos simples podem ser executados por meio de movimentos estruturais, eliminando a dependência de componentes eletrônicos tradicionais.

A arquitetura mecânica visa superar as limitações dos chips de silício, que são vulneráveis a altas temperaturas, radiação intensa e agentes químicos corrosivos. Por serem resistentes, esses sistemas podem operar em cenários extremos onde hardwares convencionais seriam destruídos ou teriam a performance comprometida.

As aplicações práticas incluem a criação de próteses que reagem à pressão sem depender de baterias e sensores de desgaste em motores a jato que utilizam a própria vibração da máquina para monitoramento. Paulsen indica que esse avanço caminha para a criação de materiais inteligentes capazes de perceber o ambiente, tomar decisões e reagir, o que resultaria em ambientes táteis e próteses mais responsivas.

Atualmente, o trabalho foca na escalabilidade e nos limites do sistema. Estudantes do St. Olaf analisam a interação entre múltiplos rotores para desenvolver redes mais complexas, visando evoluir componentes isolados para máquinas sofisticadas com múltiplas partes.

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