Ciência

Pesquisadores desenvolvem neurobots com rede nervosa que coordena a movimentação em ambiente aquático

16 de Abril de 2026 às 19:11

Pesquisadores dos Estados Unidos criaram neurobots, organismos microscópicos compostos por precursores neuronais e células embrionárias de Xenopus laevis. A rede nervosa auto-organizada desses seres resultou em corpos alongados e trajetórias de deslocamento na água mais complexas. A função do tecido nervoso no controle do movimento foi confirmada por registros de atividade de cálcio e uso de pentylenetetrazol

Pesquisadores nos Estados Unidos desenvolveram organismos vivos microscópicos, denominados neurobots, que possuem a capacidade de organizar componentes nervosos dentro de seus próprios corpos. A construção desses seres ocorreu por meio da combinação de células embrionárias de *Xenopus laevis* com precursores neuronais, inseridos durante a fase de fechamento do organismo. Esse processo resultou em uma estrutura inexistente na natureza, onde o amadurecimento celular promoveu a distribuição de neurônios, axônios e dendritos tanto na superfície quanto no interior do corpo.

A rede nervosa resultante foi auto-organizada, sem seguir modelos biológicos preexistentes da espécie. Em comparação a versões que não possuem neurônios, os neurobots apresentaram corpos mais alongados, maior atividade e trajetórias mais complexas ao se deslocarem na água. Registros de atividade de cálcio confirmaram que as células nervosas atuam no controle do movimento e da organização interna. Além disso, dados indexados no PubMed demonstram que a aplicação de pentylenetetrazol alterou a resposta desses organismos de maneira distinta da observada em modelos sem tecido nervoso.

Esse avanço sucede a fase dos xenobots, que já haviam apresentado capacidade de deslocamento em água, memória molecular simples e reparação de danos. O diferencial atual reside na implementação de uma rede nervosa funcional em um organismo construído em laboratório, o que reposiciona o debate científico sobre esses sistemas.

O desenvolvimento dessas máquinas biológicas, que operam fora dos desenhos tradicionais da natureza, abre caminho para futuras aplicações médicas, como o reparo de tecidos e a entrega precisa de terapias por meio de procedimentos menos invasivos. No entanto, a transição do ambiente de pesquisa para tratamentos reais depende de novas etapas de validação e segurança, permanecendo, por ora, restrita ao campo experimental.

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