Ciência

Salinidade da água potável aumenta em 26% o risco de hipertensão em populações costeiras

16 de Abril de 2026 às 12:04

Um estudo com mais de 74 mil participantes indica que a salinidade da água potável aumenta a pressão arterial e eleva em 26% o risco de hipertensão. O fenômeno ocorre principalmente em regiões costeiras devido à intrusão de água salgada em aquíferos. A Organização Mundial da Saúde ainda não estabeleceu limites de saúde para os níveis de sódio na água

A salinidade da água potável surge como um fator ambiental silencioso que pode elevar a pressão arterial de bilhões de pessoas ao redor do mundo. O fenômeno, investigado por Rajiv Chowdhury, da Florida International University, ocorre principalmente em regiões costeiras, onde a subida do nível do mar provoca a intrusão de água salgada em aquíferos de água doce. Esse processo aumenta a concentração de sódio na água utilizada para beber e cozinhar, muitas vezes sem que o consumidor perceba a alteração no paladar.

A análise conduzida por Chowdhury consistiu em uma revisão sistemática e meta-análise de 27 estudos populacionais, abrangendo mais de 74 mil participantes em países como Vietnã, Bangladesh, Quênia, Israel, Austrália, Estados Unidos e diversas nações europeias. Os dados revelaram que a exposição a níveis mais altos de salinidade na água potável está associada a um aumento significativo na pressão arterial e eleva em 26% o risco de desenvolvimento de hipertensão.

Esse impacto é comparável ao risco gerado pelo sedentarismo, que costuma elevar a probabilidade de hipertensão entre 15% e 25%. O cenário é particularmente crítico para as mais de 3 bilhões de pessoas que residem em áreas litorâneas, especialmente em países de baixa e média renda que dependem majoritariamente de águas subterrâneas para abastecimento.

O estudo vincula a intensificação desse problema às mudanças climáticas, prevendo que a invasão de sal em fontes de água doce se agrave nas próximas décadas, ampliando o número de pessoas expostas. Embora a dieta continue sendo a fonte primária de sódio, a água potável representa uma contribuição relevante que foge ao controle comportamental do indivíduo, diferindo de fatores como tabagismo ou escolhas alimentares.

Apesar da evidência, a Organização Mundial da Saúde ainda não estabeleceu limites de saúde para os níveis de sódio na água potável. Chowdhury aponta que ainda há lacunas científicas, especialmente sobre os efeitos de longo prazo dessa ingestão em doenças cardiovasculares graves, como o acidente vascular cerebral (AVC) e o infarto. Diante disso, a recomendação é que a população acompanhe os relatórios locais de qualidade da água e monitore o consumo total de sódio.

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