Economia

Etiópia proíbe importação de veículos a combustão para reduzir gastos com petróleo e expandir frota elétrica

19 de Abril de 2026 às 06:09

A Etiópia proibiu a importação de veículos a gasolina e diesel em 2024 para reduzir gastos com petróleo e expandir a frota elétrica. O país utiliza energia hidrelétrica para alimentar o sistema e projeta atingir 500 mil veículos elétricos até 2030

A Etiópia implementou a proibição da importação de veículos movidos a gasolina e diesel em 2024, visando a transição total do transporte nacional para a propulsão elétrica. A medida fundamenta-se em uma necessidade econômica imediata: a redução do gasto anual de quase 4 bilhões de euros com a importação de petróleo, montante que consome reservas críticas de moeda estrangeira.

A viabilidade financeira e técnica dessa estratégia baseia-se na matriz energética do país, onde mais de 97% da eletricidade é proveniente de fontes hidrelétricas. O pilar desse sistema é a Grande Barragem do Renascimento Etíope, a maior da África, que iniciou operações em 2025 com capacidade de 5.150 megawatts. A obra dobrou a produção elétrica nacional, permitindo que a frota elétrica seja alimentada por energia renovável e barata, eliminando a dependência de combustíveis fósseis e as emissões indiretas de carbono.

O impacto nos indicadores de mobilidade é expressivo. O número de veículos elétricos nas estradas cresceu quase quatro vezes em dois anos, saltando de 30 mil unidades para o patamar atual. Em Adis Abeba, mais de 100 ônibus elétricos transportam diariamente mais de 90 mil passageiros, operando sem a emissão de gases ou o ruído característico dos motores a diesel. A meta do governo é atingir 500 mil veículos elétricos até 2030.

No setor de transportes individuais, a migração para a tecnologia elétrica resultou em reduções drásticas de custos operacionais. Motoristas de táxi que substituíram veículos a combustão por modelos elétricos registraram a queda de gastos mensais com combustível de patamares entre 40 e 50 mil birr para aproximadamente 5 mil birr, representando uma economia de quase 90%.

Apesar do avanço, a expansão enfrenta gargalos estruturais e socioeconômicos. A infraestrutura de recarga é limitada, com cerca de 500 estações concentradas majoritariamente na capital, o que dificulta deslocamentos intermunicipais. Além disso, há um paradoxo social: 46% da população, ou 63 milhões de pessoas, ainda não possuem acesso à eletricidade.

O custo de aquisição também é um entrave, com veículos pequenos partindo de 17 mil euros em um cenário onde grande parte da população recebe menos de mil euros anuais. A escassez de moeda estrangeira impacta a indústria local; embora existam 17 fábricas de montagem, a dependência de componentes importados da China limita a produção a 500 unidades por ano. Para mitigar a falta de infraestrutura pública, operadores privados começaram a instalar postos de carregamento com funcionamento 24 horas.

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