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Empresa peruana adapta robótica chinesa para inspeções em minas e resposta a desastres naturais

19 de Abril de 2026 às 06:09

A Glexo, primeira empresa de robótica do Peru, importa tecnologia de Shenzhen e utiliza técnicos locais para customização de máquinas. O portfólio inclui humanoides e cães quadrúpedes aplicados em eventos, inspeções mineiras e resposta a desastres. Os equipamentos possuem preços entre US$ 4 mil e US$ 150 mil

A robótica chinesa está se integrando ao cotidiano do Peru por meio da Glexo, a primeira empresa do setor no país. A companhia opera com um modelo estratégico que importa tecnologia de ponta de Shenzhen, na China, e a adapta às demandas locais utilizando uma equipe técnica composta exclusivamente por profissionais peruanos. Essa estrutura permite que a manutenção e a customização das máquinas sejam realizadas internamente, reduzindo a dependência de suporte internacional e fomentando um ecossistema tecnológico autossuficiente na região.

O portfólio da empresa abrange desde modelos de entretenimento até máquinas de alta complexidade técnica, com preços que variam entre US$ 4 mil e US$ 150 mil. Entre os humanoides, destaca-se o Glex One, capaz de caminhar, falar e dançar, e o Expertis, a versão mais inteligente da linha, programada para interações autônomas e conversas contextualizadas. Para superar a resistência inicial da população, a Glexo integrou passos de dança da cultura peruana às performances do Glex One, transformando o receio do público em fascínio.

Embora a receita atual da Glexo seja concentrada no aluguel de robôs para exposições e eventos corporativos, há um avanço significativo para aplicações práticas em setores críticos. A empresa opera cães robóticos quadrúpedes projetados para acessar áreas perigosas ou inacessíveis a seres humanos. Essa tecnologia é especialmente relevante para a realidade peruana, sendo aplicada em inspeções em minas — um dos pilares econômicos do país — e em operações de resposta a desastres naturais, como deslizamentos e terremotos.

A transição de curiosidade tecnológica para necessidade industrial reflete a democratização do acesso a ferramentas de inteligência artificial no Peru. O modelo de implementação da Glexo serve como referência para outros países da América Latina, como Colômbia, Equador e Bolívia, que enfrentam desafios semelhantes em segurança, educação e mineração. A tendência indica que a robótica chinesa deixará de ser uma novidade midiática para se tornar uma ferramenta comum de produtividade e segurança no país.

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