Pequim implanta barreira em recife disputado enquanto Estados Unidos reforçam presença no Oriente Médio
Entre 10 e 11 de abril, a China colocou uma estrutura flutuante no recife Scarborough Shoal. A Guarda Costeira filipina e a empresa Vantor atestaram a ação, enquanto dez navios chineses foram registrados na região entre 5 e 12 de abril
A China instalou uma barreira flutuante no recife Scarborough Shoal entre os dias 10 e 11 de abril. A movimentação foi confirmada por Jay Tarriela, porta-voz da Guarda Costeira filipina, e corroborada por imagens da empresa Vantor, que identificou um navio de patrulha ou da guarda costeira chinesa na entrada do recife no dia 10. Entre 5 e 12 de abril, a Marinha das Filipinas registrou a presença de dez embarcações da guarda costeira chinesa no local. Embora a barreira tenha sido removida após o fim de semana, Manila mantém patrulhas constantes na área.
O Scarborough Shoal é um ponto de pesca tradicional para vietnamitas, chineses e filipinos, situado inteiramente dentro da zona econômica exclusiva das Filipinas. No entanto, Pequim detém o controle efetivo da região desde 2012, quando assumiu o recife após um confronto naval. Em 2016, o Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia decidiu que o bloqueio chinês violava o direito internacional, mas a China ignora a sentença e não reconhece a jurisdição do tribunal. No ano passado, o governo chinês criou uma reserva natural no local, medida que as autoridades de segurança filipinas classificam como um pretexto para a ocupação permanente.
A instalação repetida de barreiras físicas reflete a estratégia de Pequim de consolidar fatos consumados no terreno, obrigando Manila a reagir a ações já implementadas. A Guarda Costeira filipina já removeu estruturas semelhantes em ocasiões anteriores. Além disso, Manila acusa a China de operar navios da milícia marítima disfarçados de pesqueiros no recife e em outras áreas disputadas, operação que Pequim nunca admitiu. Tarriela afirma que a vigilância chinesa é intensificada sempre que grupos de pescadores filipinos se aproximam do local.
Essa movimentação ocorre enquanto os Estados Unidos concentram sua atenção no Oriente Médio, devido ao conflito no Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz. Washington mantém 50 mil militares na região e envia reforços de 10 mil soldados, incluindo o grupo do porta-aviões USS George H.W. Bush e 4.200 fuzileiros do USS Boxer. O foco dos EUA no Golfo Pérsico abre uma janela para que a China avance no Mar do Sul da China com menor risco de confronto direto.
Em resposta, tropas americanas e filipinas iniciam este mês exercícios militares conjuntos em todo o arquipélago filipino, incluindo a província de Zambales, cuja costa está a 120 milhas náuticas do Scarborough Shoal. Anteriormente, em janeiro de 2026, as marinhas dos dois países realizaram o 11º exercício conjunto no próprio recife, ação interpretada por Pequim como provocação.
A disputa territorial acontece em uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, por onde transitam trilhões de dólares em comércio anual. A região é fundamental para o abastecimento de gás natural e petróleo do Japão, da Coreia do Sul e de Taiwan. Enquanto a atenção global se volta para o Estreito de Ormuz, a China utiliza barreiras físicas para transformar disputas diplomáticas em controle territorial efetivo.