Estados Unidos testam míssil hipersônico capaz de manobrar e evitar sistemas de defesa antimíssil
Exército e Marinha dos Estados Unidos testaram, em 26 de março de 2026, o míssil hipersônico Dark Eagle em Cape Canaveral. O armamento atingiu velocidade superior a Mach 5 e possui capacidade de manobra durante o voo. O Departamento de Defesa confirmou a operação em 2 de abril de 2026
Os Estados Unidos realizaram, em 26 de março de 2026, um teste conjunto entre o Exército e a Marinha com o lançamento de um míssil hipersônico a partir da Estação da Força Espacial de Cape Canaveral, na Flórida. O armamento, denominado Dark Eagle (ou LRHW - Long-Range Hypersonic Weapon), atingiu velocidades superiores a Mach 5, o que ultrapassa 6.100 quilômetros por hora. O Departamento de Defesa confirmou a operação oficialmente no dia 2 de abril de 2026.
A principal característica do Dark Eagle é a combinação de velocidade extrema com a capacidade de manobrar durante o voo. Diferente dos mísseis balísticos convencionais, que seguem trajetórias previsíveis e podem ser interceptados, o projétil hipersônico plana na atmosfera superior e altera sua direção de forma imprevisível. Essa dinâmica, somada à velocidade que transforma o ar ao redor do míssil em plasma — uma nuvem de gás ionizado —, torna a interceptação por qualquer sistema de defesa antimíssil atual praticamente impossível.
Do ponto de vista estratégico, o Pentágono optou por desenvolver um sistema unificado. O Dark Eagle utiliza o Common Hypersonic Glide Body, um veículo planador que pode ser acoplado a diferentes plataformas de lançamento, sejam elas terrestres ou marítimas. Essa abordagem de "míssil comum" visa acelerar os cronogramas de implantação, reduzir custos e simplificar a produção, diferenciando-se da estratégia de Rússia e China, que desenvolveram plataformas separadas para cada ramo militar.
O armamento foi projetado para neutralizar alvos de alto valor, centros de comando e bases fortemente protegidas. O avanço americano busca reduzir a defasagem em relação a rivais globais: a Rússia já opera o míssil Kinzhal, capaz de atingir Mach 10 através de caças MiG-31, enquanto a China possui o DF-17, focado em porta-aviões em movimento.
A natureza do voo hipersônico — que ocorre em altitude baixa para evitar radares de longo alcance, mas com velocidade excessiva para radares de curto alcance — anula a eficácia de sistemas como o Iron Dome e o Patriot. Atualmente, os EUA investem em sensores espaciais e armas a laser para tentar criar defesas contra tais ameaças, embora essas tecnologias ainda não estejam operacionais.
Este foi o segundo teste bem-sucedido em configuração completa do míssil, após voos realizados em 2025. A próxima etapa consiste na integração operacional do Dark Eagle em unidades do Exército e navios da Marinha. Embora o cronograma de implantação não tenha sido divulgado, o processo envolve etapas complexas de logística, certificação, manutenção e treinamento.
A comprovação da eficácia do sistema serve como ferramenta de dissuasão geopolítica, sinalizando que os Estados Unidos possuem a capacidade de atingir alvos sensíveis sem que haja contramedidas eficazes no momento.