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Ucrânia nacionaliza produção de drones para reduzir dependência de componentes estrangeiros e chineses

27 de Abril de 2026 às 06:06

A Ucrânia nacionalizou a produção de drones para reduzir a dependência de componentes chineses, elevando a fabricação de 5 mil unidades em 2022 para 2,2 milhões em 2024. O país produz internamente placas de circuito, motores e estruturas, com a meta de atingir 4,5 milhões de aeronaves em 2025. Duas empresas ucranianas participaram de testes do Pentágono em fevereiro de 2026

A Ucrânia implementou uma estratégia de nacionalização de sua indústria de drones para eliminar a dependência de componentes estrangeiros, especialmente chineses, em meio ao conflito com a Rússia. O país registrou um crescimento exponencial na produção de aeronaves não tripuladas: enquanto em 2022 fabricou entre 3 mil e 5 mil unidades, o volume saltou para 2,2 milhões em 2024, com a estimativa de atingir 4,5 milhões em 2025.

Essa expansão industrial tornou-se vital devido à natureza do engajamento militar atual, no qual drones FPV de baixo custo, em torno de US$ 500, são capazes de destruir sistemas de defesa aérea e tanques de valor significativamente superior. A escala de produção e a capacidade de reposição constante passaram a ser prioridades estratégicas para compensar as perdas mensais de equipamentos.

Historicamente, a cadeia de suprimentos ucraniana era fortemente dependente da China. Em 2023, Kiev adquiriu 60% da produção global de quadricópteros Mavic da DJI, empresa que detém 80% do mercado global de drones para consumidores e 90% do mercado comercial nos Estados Unidos. A vulnerabilidade tornou-se crítica quando Pequim impôs restrições às exportações. Em junho de 2023, a China limitou a venda de drones de longo alcance com mais de 7 kg para Ucrânia e Rússia. Em 1º de setembro de 2024, novas barreiras atingiram componentes essenciais, como módulos de rádio, motores, câmeras de navegação, controladores de voo e estruturas de carbono.

Para mitigar esses riscos, a Ucrânia passou a fabricar internamente itens críticos. As placas de circuito, responsáveis pela estabilização de voo e processamento de dados, passaram a ser produzidas localmente para evitar a paralisação da linha de montagem. A empresa Motor G, por exemplo, desenvolveu a produção em massa de motores elétricos, com a meta de entregar 100 mil unidades por mês até o final de 2025. Outra iniciativa é a da ASTA, que produz drones FPV guiados por fibra óptica, utilizando impressão 3D para carcaças e carretéis.

A substituição de importações já abrange antenas, reguladores de velocidade, sistemas de transmissão de vídeo e estruturas de carbono, restando as câmeras como o componente mais difícil de nacionalizar. A dependência global de componentes chineses é evidenciada pelo caso da Skydio, que teve a produção e os envios para a Ucrânia prejudicados após a China interromper a venda de baterias em outubro de 2024.

O avanço tecnológico ucraniano ganhou reconhecimento internacional. Em fevereiro de 2026, duas empresas do país participaram de testes do Pentágono. Uma delas foi selecionada entre as 11 finalistas, ao lado de fabricantes dos Estados Unidos e do Reino Unido. O Departamento de Defesa dos EUA planeja investir cerca de US$ 150 milhões na aquisição de 30 mil drones de ataque unidirecionais, com entregas previstas para os próximos cinco meses.

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