Cidade norueguesa implementa ferry elétrico que reduz consumo de energia em oito vezes
Fredrikstad, na Noruega, opera desde abril de 2024 o ferry elétrico Hyke F-15 na travessia entre Bekkhus e Vaterland. A embarcação transportou mais de 41 mil passageiros até julho de 2025, consumindo até oito vezes menos energia que modelos a diesel
A cidade de Fredrikstad, na Noruega, implementou a operação diária do Hyke F-15 Shuttle, um ferry elétrico que transformou a travessia entre Bekkhus e Vaterland em um modelo de mobilidade urbana sustentável. O projeto, apresentado inicialmente em novembro de 2023 no Living Lab de Fredrikstad via programa europeu SUM, tornou-se um serviço público oficial em abril de 2024, transportando mais de 41 mil passageiros até julho de 2025.
Com aproximadamente 15 metros de comprimento, a embarcação foi projetada para operar em canais, rios e zonas costeiras que possuam infraestrutura limitada, dispensando a necessidade de terminais complexos. A eficiência energética é um dos pilares do modelo, que utiliza propulsão totalmente elétrica via baterias recarregáveis e um casco otimizado para reduzir a resistência hidrodinâmica. Essas características permitem que o Hyke F-15 consuma até oito vezes menos energia do que embarcações equivalentes movidas a diesel, resultando em custos operacionais reduzidos e na eliminação de emissões diretas de gases de efeito estufa.
Além da descarbonização, a tecnologia impacta a qualidade do ambiente urbano através da redução drástica de ruídos e vibrações, típicos de motores a combustão. Esse silêncio operacional beneficia tanto os passageiros quanto a fauna aquática local.
A estratégia de implementação em Fredrikstad integrou o ferry à malha de transporte público, fazendo com que a via aquática funcione como uma extensão das rotas terrestres. A travessia curta, de cerca de 225 metros, é realizada em um tempo médio de dois minutos, provando a viabilidade de embarcações leves no transporte coletivo diário.
Embora a experiência norueguesa seja replicável em cidades litorâneas ou com canais — incluindo contextos como o do Brasil, Estados Unidos e países asiáticos —, a tecnologia ainda enfrenta limitações. A autonomia das baterias restringe o uso a trajetos curtos e a implementação exige investimentos iniciais em infraestrutura de recarga. Mesmo com esses desafios, a operação do Hyke F-15 consolida a transição energética no setor aquaviário, posicionando rios e canais como corredores de mobilidade eficientes e limpos.