Ciência

Estudo revela que eventos climáticos alteram o fluxo do metrô de Nova York de forma distinta

26 de Abril de 2026 às 07:02

Pesquisa de universidades de Nova York, Louisville e Hong Kong analisou o fluxo em 10 estações do metrô de Nova York entre 2023 e 2025. Chuvas intensas reduzem a demanda no pico noturno, com diminuição de cerca de 29% na Columbus Circle, enquanto o frio extremo afeta mais os períodos fora do pico. A variação no volume de passageiros depende da infraestrutura e do uso do solo de cada unidade

Um estudo publicado na revista *npj Sustainable Mobility and Transport* revelou que a redução de viagens no metrô de Nova York varia conforme a estação, o horário e a natureza do evento climático. A pesquisa, conduzida por acadêmicos da NYU Tandon, da Universidade de Louisville e da Universidade de Hong Kong, analisou registros horários de 10 estações principais entre 2023 e 2025.

Para compreender a demanda de forma sistêmica e não isolada, a equipe aplicou a modelagem de cópula de vinha. Essa técnica estatística permitiu identificar padrões repetitivos de resposta dos passageiros diante de tempestades e ondas de frio em diferentes pontos da rede, observando como o volume de usuários oscila sob condições extremas.

A precipitação intensa impacta predominantemente o horário de pico noturno. O estudo observou disparidades significativas entre as unidades: enquanto a estação Columbus Circle registrou queda de quase 29%, a Grand Central apresentou redução inferior a 8%. Em bairros periféricos, como na estação Flushing–Main Street, a diminuição chegou a quase 26%. Essa tendência ocorre porque os deslocamentos noturnos possuem maior flexibilidade, permitindo que usuários antecipem saídas, aguardem a diminuição da chuva ou cancelem compromissos não essenciais.

Já o frio extremo gera reações distintas. No pico da manhã, a queda de passageiros foi modesta, oscilando entre 1% e 2,4%, evidenciando que rotinas obrigatórias e trajetos de trabalho são mantidos mesmo sob temperaturas baixas. O impacto maior do frio ocorre fora dos horários de pico, afetando viagens opcionais, como visitas a amigos ou idas a restaurantes, conforme apontou o professor associado Joseph Chow.

A análise demonstrou que a proximidade geográfica não assegura reações semelhantes. A diferença de sensibilidade entre Columbus Circle e Grand Central, separadas por menos de três quilômetros, sugere que a resiliência de cada estação depende de fatores como conectividade, desenho do espaço, infraestrutura e uso do solo local, e não apenas da localização no bairro.

Omar Wani, professor assistente da NYU Tandon, destacou que a metodologia permite aos planejadores visualizar a resposta de toda a rede a eventos climáticos, auxiliando na criação de cenários de demanda para preparar o sistema contra instabilidades. O estudo ressalta que a rede não reage como um bloco único e que bairros dependentes do transporte público podem sofrer sobrecargas quando eventos severos dificultam o acesso às estações.

Os autores ponderam que a análise se limitou a 10 estações de alta demanda e que a raridade de eventos extremos nos dados torna os resultados estimativas de respostas prováveis, e não meras médias históricas. Ainda assim, a pesquisa confirma que a chuva forte atinge mais o uso do metrô nos picos de movimento, enquanto o frio extremo pesa mais nos períodos de menor fluxo.

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