Painel Científico para a Transição Energética Global é criado em conferência na Colômbia
A instituição do Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET) ocorreu no sábado (25), em Santa Marta, Colômbia, durante a Primeira Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis. O grupo prestará suporte técnico a governos para a descarbonização ao longo de cinco anos. O evento reúne 57 nações e cerca de 4.200 entidades
No sábado (25), durante a Primeira Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, em Santa Marta, na Colômbia, foi anunciado a criação do Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET). O órgão, formado por especialistas de áreas como tecnologia, economia e clima, tem a função de assessorar governos na descarbonização por meio de recomendações técnicas e evidências científicas que orientem políticas públicas.
O planejamento do painel prevê a coleta de evidências científicas ao longo dos próximos cinco anos para subsidiar a transição de cidades, regiões, países e coalizões. A estrutura do SPGET inclui o monitoramento de políticas e a integração com processos internacionais, com destaque para a COP30, que será presidida pelo Brasil.
A iniciativa busca restaurar a centralidade da ciência nas decisões políticas sobre o meio ambiente, combatendo a tendência de marginalização de relatórios técnicos, como ocorreu com o IPCC entre a Eco-92 e a COP24. Para a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, o painel preenche uma lacuna histórica ao estabelecer o primeiro organismo dedicado especificamente à superação dos combustíveis fósseis e aos seus reflexos socioeconômicos. Rockström pontuou que a ciência deve atuar como um elo para integrar nações que avançam em ritmos distintos na transição energética.
A conferência em Santa Marta conta com a participação de 57 países, incluindo o Brasil, e aproximadamente 4.200 organizações, abrangendo povos indígenas, academia, setor privado, sociedade civil e governos. O grupo representa mais de 50% do PIB global e concentra seus esforços em três eixos: cooperação internacional, transformação econômica e mudanças na oferta e demanda de energia.
O cronograma do evento prevê que, entre os dias 24 e 27 de abril, sejam consolidadas as propostas que nortearão a Cúpula de Líderes, marcada para 28 e 29 de abril. A expectativa é a entrega de um relatório com diretrizes para a aceleração da transição energética e a definição de mecanismos de cooperação entre as nações.
Van Veldhoven, ministra do Clima e do Crescimento Verde dos Países Baixos, defendeu que a volatilidade do mercado de combustíveis fósseis torna o momento oportuno para fortalecer a independência energética e o crescimento econômico verde. Já o ativista Kumi Naidoo, da Iniciativa do Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis, argumentou que a conferência é uma chance de estabelecer acordos ambiciosos e juridicamente vinculativos, superando a superficialidade de pactos firmados em COPs anteriores, desde 2009.