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China planeja adquirir 8,5 mil robôs com inteligência artificial para a manutenção da rede elétrica

26 de Abril de 2026 às 07:01

China investirá mais de 10 bilhões de yuans em 2026 para adquirir 8,5 mil robôs com IA destinados à manutenção e inspeção da rede elétrica. A iniciativa integra um plano de modernização da infraestrutura com meta de investimento de 4 trilhões de yuans entre 2026 e 2030

A China implementa uma expansão massiva de robótica em sua rede elétrica para modernizar a infraestrutura de transmissão e distribuição por meio de automação e inteligência artificial. A State Grid Corporation of China, operadora que atua em 26 das 31 regiões provinciais do país, destinou 6,8 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 1 bilhão) para a aquisição de robôs com IA em 2026. Somando-se a outras operadoras, como a China Southern Power Grid, que atende cinco regiões ao sul, incluindo Guangdong, o investimento total do setor em robótica pode ultrapassar 10 bilhões de yuans no mesmo ano.

O plano prevê a compra de 8,5 mil máquinas, com predominância de robôs quadrúpedes, voltados para inspeções em subestações, linhas de transmissão e áreas montanhosas de difícil acesso. O projeto inclui ainda modelos humanoides e equipamentos com dois braços para operações complexas, como serviços em redes de ultra-alta tensão e atividades em ambientes de alto risco para equipes humanas. Na prática, as máquinas assumem funções de monitoramento e manutenção preventiva, ampliando a coleta de dados e reduzindo a necessidade de deslocamento humano.

Essa automação responde ao crescimento acelerado do consumo energético. Em 2025, a demanda elétrica chinesa atingiu 10,4 trilhões de kWh, alta de 5% sobre o ano anterior. O aumento foi impulsionado pela fabricação de veículos de nova energia, com crescimento superior a 20%, e pelo setor de internet e serviços, que subiu mais de 30%. Globalmente, a Agência Internacional de Energia registrou alta de 17% na demanda de eletricidade de data centers em 2025, com a projeção de que centros voltados à IA tripliquem seu consumo até 2030.

A robótica integra um plano maior de modernização da rede. Em 2025, a State Grid previu investir 650 bilhões de yuans (US$ 88,7 bilhões) no sistema. Para o ciclo entre 2026 e 2030, a meta é de 4 trilhões de yuans (US$ 574 bilhões), representando um salto de 40% nos investimentos fixos em relação ao quinquênio anterior. O foco está no reforço de linhas de longa distância entre o oeste e o leste, visando levar energia de bases renováveis para polos industriais, com a meta de ampliar em 30% a capacidade de transmissão interprovincial em relação ao nível de 2025.

A automação facilita a gestão de fontes solar e eólica, que são variáveis e exigem monitoramento em tempo real e ajustes rápidos. Os robôs atuam como sensores móveis que registram imagens, identificam anomalias e enviam dados para centros de controle, reduzindo inspeções manuais repetitivas. Esse movimento impulsiona a indústria de alta tecnologia, elevando a demanda por sensores, baterias, atuadores e softwares de IA embarcada.

No Brasil, a matriz elétrica era 88,2% renovável em 2024, conforme dados da Empresa de Pesquisa Energética. Embora o país enfrente desafios semelhantes de transmissão e integração de fontes variáveis, não existe um programa nacional de robótica operacional com a escala da iniciativa chinesa, mantendo-se o avanço de tecnologias digitais em frentes distintas, mas sem um plano público de volume comparável.

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