Ciência

Astrônomos descobrem nuvem de hidrogênio gigante invisível aos métodos convencionais de mapeamento da Via Láctea

16 de Abril de 2026 às 15:06

Astrônomos identificaram a Eos, uma nuvem molecular de hidrogênio com massa 3.400 vezes superior à do Sol, situada a 300 anos-luz da Terra. A detecção ocorreu via emissão fluorescente no ultravioleta pelo instrumento FIMS-SPEAR, revelando uma estrutura que não forma estrelas e pode se dissipar em 5,7 milhões de anos

Uma equipe internacional de astrônomos identificou a Eos, uma nuvem molecular de hidrogênio gigantesca localizada a aproximadamente 300 anos-luz da Terra. Posicionada na borda da Bolha Local — cavidade de gás rarefeito que envolve o Sistema Solar —, a estrutura destaca-se por ser uma das maiores já registradas no céu, com massa estimada em 3.400 vezes a do Sol. Caso fosse visível a olho nu, sua largura aparente equivaleria a 40 luas cheias alinhadas.

A detecção da Eos, detalhada na revista Nature Astronomy e divulgada pela Universidade do Arizona, ocorreu porque a nuvem permaneceu invisível aos métodos convencionais de mapeamento da Via Láctea. Tradicionalmente, astrônomos buscam o monóxido de carbono (CO) como marcador indireto para localizar hidrogênio molecular (H₂). No entanto, a Eos é classificada como "CO-dark", possuindo níveis baixíssimos desse gás, o que fez com que telescópios ignorassem sua presença por décadas.

A descoberta foi viabilizada pelo uso do instrumento FIMS-SPEAR, do satélite sul-coreano STSAT-1. Em vez de indicadores indiretos, os cientistas utilizaram a emissão fluorescente no ultravioleta distante do H₂, captando a luz emitida pelas moléculas após a excitação por radiação. Esta é a primeira vez que uma nuvem molecular é identificada diretamente pela emissão de hidrogênio, revelando que a região ao redor do Sistema Solar, anteriormente considerada mapeada, ainda abriga estruturas massivas desconhecidas.

Diferente da maioria das nuvens moleculares, que atuam como berçários para o nascimento de estrelas, a Eos apresenta um comportamento atípico. Evidências indicam que ela não está formando estrelas ativamente e pode estar em processo de dissipação. Modelos sugerem que a estrutura desapareça em cerca de 5,7 milhões de anos, demonstrando que nem todo aglomerado de gás evolui para a criação de sistemas estelares.

A nuvem serve como um arquivo cósmico, já que a maior parte de seu hidrogênio é material primordial originado após o Big Bang. A análise desse gás permite compreender a evolução do meio interestelar antes da fase de colapso gravitacional.

O sucesso da técnica de ultravioleta sugere que a quantidade de gás na galáxia pode ter sido subestimada, indicando a existência de outras nuvens invisíveis. A possibilidade de haver mais estruturas como a Eos pode exigir a revisão dos modelos atuais de formação estelar e a reinterpretação de dados de regiões da Via Láctea que já haviam sido observadas, mas permaneciam mal compreendidas.

Notícias Relacionadas