Museu de Tóquio confirma autenticidade de artefatos funerários da tumba do Imperador Nintoku
O Museu da Universidade Kokugakuin confirmou a autenticidade de fragmentos de armadura dourada e uma faca cerimonial da tumba do Imperador Nintoku. Os itens, adquiridos em 2024, foram validados por documentos de 1872 e análises técnicas de ferro revestido a ouro. As peças estão em exibição no Museu da Cidade de Sakai até setembro de 2025
O Museu da Universidade Kokugakuin, em Tóquio, confirmou em junho de 2025 a autenticidade dos primeiros artefatos funerários provenientes da tumba do Imperador Nintoku. Os objetos, adquiridos de um negociante de arte em 2024, consistem em fragmentos de armadura dourada e uma faca cerimonial, conhecida como *tōsu*, composta por uma lâmina de ferro de aproximadamente 15 centímetros, bainha de cipreste japonês e revestimento de cobre folheado a ouro com 0,5 milímetro de espessura, fixada por cinco rebites de prata.
A comprovação da origem dos itens baseou-se em evidências documentais: os artefatos estavam envoltos em papéis datados de setembro de 1872, contendo anotações manuscritas e o selo de Kaichiro Kashiwagi. Kashiwagi, um construtor local, foi a última pessoa a acessar o interior do monumento após um deslizamento de terra ter exposto a câmara de pedra na época. Embora tenha registrado desenhos de armaduras e espadas, a faca não consta em seus registros, sugerindo que alguns itens tenham sido omitidos deliberadamente. Após passarem pela coleção de Masuda Takashi, industrial e colecionador com vínculos a Kashiwagi, as peças chegaram ao mercado de arte antes de serem compradas pela instituição acadêmica.
Análises científicas conduzidas pela Kokugakuin e pela Nippon Steel Technology revelaram que os fragmentos de armadura são feitos de ferro revestido diretamente com ouro. Essa descoberta corrige a percepção anterior de Kashiwagi, que descrevera o material como cobre folheado a ouro. A técnica de aplicar ouro sobre ferro é consideravelmente mais complexa devido à oxidação do metal, o que indica um nível de sofisticação metalúrgica da corte imperial do século V superior ao que se conhecia. Segundo Taro Fukazawa, arqueólogo da Kokugakuin, a faca e a armadura não eram objetos utilitários, mas oferendas funerárias destinadas a evidenciar o poder político e econômico da elite governante.
O Daisen Kofun, localizado em Sakai, na prefeitura de Osaka, é a maior estrutura funerária em forma de fechadura do Japão e uma das maiores do mundo. Com 486 metros de comprimento, 300 metros de largura e 34 metros de altura, o monumento é cercado por três fossos concêntricos. Atribuído ao 16º imperador do Japão, Nintoku (que teria reinado entre 313 e 399 d.C.), o sítio integra o grupo Mozu-Furuichi, reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO em 2019.
A gestão do local cabe à Agência da Casa Imperial, que mantém o acesso rigorosamente proibido. Apenas em março de 2025, representantes de 17 organizações históricas e arqueológicas foram autorizados a caminhar sobre o monte pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial, embora a entrada na câmara funerária continue vedada. Essa restrição mantém em aberto o debate acadêmico sobre a identidade real do ocupante da tumba, já que não há análise direta de restos mortais.
A confirmação desses artefatos é considerada um marco, especialmente diante de dúvidas recentes sobre a datação de peças atribuídas ao mesmo túmulo que pertenciam ao Museum of Fine Arts de Boston. Os itens da Kokugakuin, agora em exibição pública no Museu da Cidade de Sakai até setembro de 2025, representam as únicas provas físicas autenticadas do conteúdo interno do maior *kofun* do país, preenchendo uma lacuna de dados científicos de mais de 150 anos.