Ciência

Astrônomos identificam indícios de uma superkilonova, fenômeno que combina kilonova e supernova

25 de Abril de 2026 às 12:03

O fenômeno AT2025ulz, situado a 1,3 bilhão de anos-luz, indica a possibilidade de uma superkilonova. Identificado em 18 de agosto de 2025 por ondas gravitacionais e pelo Observatório Palomar, o evento uniu traços de kilonova e supernova. O The Astrophysical Journal Letters divulgou a pesquisa

A detecção do evento AT2025ulz sugere a existência de uma "superkilonova", um tipo de explosão cósmica ainda não observado, que combina a colisão de estrelas de nêutrons no interior de uma supernova. O fenômeno foi identificado após apresentar um comportamento híbrido: iniciou-se com características de kilonova e, após alguns dias, passou a atuar como uma supernova.

O registro do evento começou em 18 de agosto de 2025, quando os detectores Virgo, na Itália, e LIGO, localizados em Washington e na Louisiana, captaram sinais de ondas gravitacionais. O alerta emitido para astrônomos globais indicava a fusão de dois objetos, ressaltando que ao menos um deles possuía uma massa incomumente pequena. Horas depois, o Zwicky Transient Facility, operando no Observatório Palomar, localizou uma fonte vermelha em declínio a aproximadamente 1,3 bilhão de anos-luz, na mesma região do céu do sinal gravitacional.

Inicialmente designado como ZTF 25abjmnps, o objeto AT2025ulz manteve, por cerca de três dias, emissões semelhantes à kilonova de 2017, caracterizada por uma cor vermelha resultante da absorção de luz azul por elementos pesados, como o ouro. Contudo, a explosão alterou seu padrão poucos dias após o clarão inicial, tornando-se mais brilhante, com luz azulada e a presença de hidrogênio em seus espectros. Tais atributos são típicos de supernovas de colapso de núcleo com envelope removido.

Essa mudança de comportamento levou parte da comunidade científica a questionar se o evento seria apenas uma supernova comum, já que estas, em galáxias distantes, geralmente não produzem ondas gravitacionais detectáveis. Entretanto, a equipe liderada por Mansi Kasliwal, diretora do Observatório Palomar e professora de astronomia do Caltech, identificou que os sinais não se ajustavam totalmente nem a kilonovae clássicas nem a supernovas típicas. O estudo foi publicado no The Astrophysical Journal Letters.

A hipótese da superkilonova propõe que uma estrela massiva tenha explodido, gerando duas estrelas de nêutrons recém-formadas. Estas teriam espiralado e se fundido rapidamente, criando a kilonova dentro dos destroços da própria supernova. Estrelas de nêutrons são remanescentes densos com cerca de 25 quilômetros de diâmetro e massas que variam entre 1,2 e três vezes a massa solar. No caso do AT2025ulz, os dados sugerem que um dos objetos tinha massa inferior à do Sol.

Para explicar a existência de estrelas de nêutrons tão pequenas, existem duas teorias: a fissão de uma estrela massiva em rotação rápida durante a explosão ou a formação de aglomerados em um disco de material ao redor do núcleo em colapso.

A confirmação de que o AT2025ulz é efetivamente uma superkilonova ainda depende de novas evidências. A continuidade das investigações deve utilizar dados do ZTF, do Observatório Vera Rubin e de projetos como o Cryoscope, no Antártico, o Deep Synoptic Array-2000, o Telescópio Espacial Nancy Roman da NASA e o UVEX, liderado por Fiona Harrison, do Caltech. A análise de eventos que mimetizam supernovas comuns pode consolidar este caso como a primeira evidência de uma nova classe de cataclismo estelar.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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