China destaca programa de satélites com o Brasil como modelo de cooperação internacional
O governo chinês destacou o Programa CBERS, parceria de sensoriamento remoto com o Brasil, como modelo de cooperação internacional. A tecnologia monitora a Amazônia Legal e auxilia instituições brasileiras no controle do desmatamento e de recursos hídricos. O porta-voz Guo Jiakun defendeu a exploração espacial baseada na cooperação aberta
O Programa CBERS, iniciativa de sensoriamento remoto desenvolvida por meio de uma parceria técnico-científica entre Brasil e China, foi destacado pelo governo chinês como um modelo de cooperação internacional voltado a aplicações práticas na Terra. Em coletiva realizada na sexta-feira, 24 de abril de 2026, data do Dia Espacial da China, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, enfatizou a relevância do projeto para a proteção de florestas tropicais na América do Sul, especialmente no monitoramento da Amazônia Legal.
A tecnologia do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres permitiu que o Brasil integrasse o grupo de nações capazes de gerar dados primários de sensoriamento remoto. Essas informações são fundamentais para que instituições ambientais, pesquisadores e órgãos públicos acompanhem alterações na cobertura terrestre. No contexto brasileiro, as imagens do CBERS complementam os sistemas de alertas e estimativas de desmatamento operados pelo Inpe, como o Prodes e o Deter, fornecendo dados estratégicos para a fiscalização, o planejamento territorial e a formulação de políticas públicas.
Além do combate ao desmatamento e à identificação de queimadas, as ferramentas do programa são aplicadas no monitoramento de recursos hídricos, no acompanhamento de atividades agrícolas, na análise da expansão urbana, no mapeamento de áreas degradadas e em projetos educacionais.
Durante a declaração, Guo Jiakun defendeu que a exploração do espaço sideral deve ser pautada pela cooperação aberta, e não por disputas entre potências. O porta-voz exemplificou essa abertura ao mencionar a estação espacial Tiangong, que abriga obras de jovens africanos e prepara a recepção de astronautas paquistaneses. A fala reflete a estratégia de Pequim em ampliar a divulgação de seus acordos espaciais, que incluem também parcerias com diversos países do continente africano.