Pesquisadores identificam na Paraíba complexo de gravuras rupestres que pode ser o maior do Brasil
Pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba identificaram em Catolé do Rocha um complexo de gravuras rupestres com 4,6 quilômetros de extensão. O conjunto, localizado em Malhada de Areia, pode ser o maior do Brasil
Pesquisadores do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia (LABAP), da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), identificaram em Malhada de Areia, zona rural de Catolé do Rocha, um complexo de gravuras rupestres que pode ser o maior do Brasil. O achado, localizado em uma propriedade privada a cerca de 20 quilômetros do centro urbano, estende-se por aproximadamente 4,6 quilômetros de afloramentos rochosos contínuos.
A descoberta ocorreu durante expedições concentradas no Sertão paraibano nos últimos três anos, parte de um trabalho de prospecção realizado pelo LABAP há quase três décadas. A equipe documentou centenas de imagens esculpidas na rocha por povos pré-históricos, compostos por caçadores, coletores e pescadores. A característica distintiva do local é a sua extensão linear, diferindo da maioria dos sítios rupestres conhecidos, que geralmente se concentram em cavernas ou paredões isolados.
Devido à magnitude da área, os pesquisadores classificam o local como um complexo, e não apenas um sítio, estimando que a extensão real seja ainda superior ao que foi mapeado até agora. Atualmente, os maiores sítios da Paraíba são Pedra Branca e São Mamede, mas a expectativa é que Malhada de Areia supere ambos após a conclusão do levantamento. Caso a extensão total seja confirmada, o estado passará a deter um patrimônio arqueológico comparável ao Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, que abriga o maior conjunto de sítios pré-históricos das Américas.
A idade exata das inscrições ainda não foi determinada. O mapeamento detalhado deve levar anos devido à complexidade do terreno. A Paraíba, que já possui a maior pegada de dinossauro carnívoro do Brasil, em Sousa, reforça com esse achado a tendência de que o Nordeste guarda um patrimônio pré-histórico superior ao imaginado anteriormente.
A preservação do complexo enfrenta desafios por estar em terra privada e carecer de tombamento oficial pelo IPHAN, o que expõe as gravuras a riscos de erosão, vandalismo e expansão agrícola. A manutenção do sítio depende agora de uma articulação entre a universidade, o governo estadual e os proprietários da terra, especialmente diante do cenário de financiamento escasso para a arqueologia regional.