China expande missões espaciais para 2026 com foco em foguetes reutilizáveis e presença humana
A China expandirá suas missões espaciais até 2026 com foco em foguetes reutilizáveis, satélites científicos e voos tripulados. O planejamento inclui o envio de astronautas à Lua e a criação de uma base lunar até 2030
A China anunciou a expansão de suas missões espaciais para 2026, com foco no desenvolvimento de foguetes reutilizáveis, satélites científicos e no aumento da presença humana no espaço. O planejamento, divulgado pela Administração Espacial Nacional da China (CNSA) via agência Xinhua, coincide com as celebrações do Dia do Espaço da China, em 24 de abril, e a realização da Conferência Espacial da China, em Chengdu, entre 23 e 25 de abril.
Entre as metas para 2026, Pequim prevê a realização de missões tripuladas, como a Shenzhou-23, e a implementação de estratégias para fortalecer o setor espacial comercial, visando a redução de custos e a maior frequência de operações em órbita. O país também projeta enviar astronautas à Lua e estabelecer uma base lunar até 2030, por meio da Estação Internacional de Pesquisa Lunar, iniciativa que disputa influência com os Acordos Artemis dos Estados Unidos.
A aceleração chinesa ocorre em um cenário de intensa disputa tecnológica, evidenciada pelo recente retorno da missão Artemis II da Nasa. Lançada em 1º de abril de 2026 e finalizada em 10 de abril, a missão levou quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch (Nasa) e Jeremy Hansen (Agência Espacial Canadense) — em uma viagem de teste ao redor da Lua a bordo da cápsula Orion. O voo serviu para validar sistemas de segurança, navegação, comunicação e suporte à vida.
O Brasil integra esse contexto por meio de diferentes frentes. A cooperação com a China mantém como eixo o programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), parceria iniciada em 1988 para o desenvolvimento de satélites de observação da Terra. Esses equipamentos são utilizados no Brasil para a gestão de recursos naturais, planejamento territorial, agricultura, monitoramento ambiental e controle de desmatamento. A CNSA classifica essa relação como um modelo de cooperação Sul-Sul em alta tecnologia.
Simultaneamente, a tecnologia brasileira esteve presente na missão Artemis II através de um actígrafo desenvolvido com pesquisas da Universidade de São Paulo. O dispositivo, similar a um relógio científico, foi utilizado pelos astronautas para monitorar a exposição à luz, os movimentos e os padrões de sono durante a jornada.
No campo da infraestrutura e pesquisa, a China registrou 92 lançamentos espaciais em 2025, o que representa um crescimento de 35% em relação ao ano anterior, conforme dados de Liu Yunfeng, vice-diretor do departamento de engenharia de sistemas da CNSA. Recentemente, o país lançou um foguete Longa Marcha-4C equipado com um satélite para detecção de gases de efeito estufa, reforçando a observação climática. Outro projeto relevante é a missão SMILE, desenvolvida com a Europa para estudar a interação entre a magnetosfera terrestre e o vento solar.
A atividade orbital chinesa também segue ativa com a tripulação da Shenzhou-21. Os taikonautas Zhang Lu, Wu Fei e Zhang Hongzhang, que chegaram à estação em 31 de outubro de 2025, tiveram sua permanência prorrogada por um mês para testar tecnologias de estadias prolongadas. Durante a missão, instalaram proteções contra detritos espaciais e inspecionaram componentes externos do módulo.
Para viabilizar missões lunares complexas, Pequim desenvolveu satélites retransmissores para garantir a comunicação no lado oculto da Lua, região que não possui contato direto com a Terra. Essa infraestrutura torna-se crítica em trajetórias como a da Artemis II, que enfrentou trechos sem comunicação direta com os centros de controle terrestres durante o contorno do satélite natural.