Ciência

Cometa interestelar 3I/ATLAS libera volume de água sem precedentes durante travessia pelo sistema solar

21 de Abril de 2026 às 06:12

O cometa interestelar 3I/ATLAS expele 50 litros de água por segundo durante a travessia do sistema solar. A análise por espectroscopia identificou monóxido de carbono e moléculas orgânicas no corpo celeste. O monitoramento seguirá até que o objeto saia do alcance dos telescópios

O cometa interestelar 3I/ATLAS, terceiro objeto de origem externa ao Sol confirmado pela ciência, apresenta uma liberação de água em volumes sem precedentes durante sua travessia pelo sistema solar. Observações de equipes internacionais indicam que o corpo celeste expele cerca de 50 litros de água por segundo, volume significativamente superior ao registrado no primeiro visitante interestelar, o ‘Oumuamua, que quase não demonstrava atividade cometária.

A detecção ocorreu por meio do sistema de alerta de impacto terrestre ATLAS. A trajetória hiperbólica extrema do objeto comprovou que ele não possui ligação gravitacional com o Sol, movendo-se em uma órbita de alta inclinação que o levará de volta ao espaço profundo após contornar a estrela central.

A quantidade de gelo identificada sugere que o 3I/ATLAS se originou em uma região rica em água em seu sistema natal, guardando semelhanças com os cometas de longo período do sistema solar. A densidade do vapor de água ao redor do núcleo permitiu a aplicação de espectroscopia, técnica que revelou a presença de monóxido de carbono e moléculas orgânicas. Esses achados indicam que a formação de corpos celestes gelados pode ser um processo universal em diferentes partes da galáxia.

A atividade intensa do cometa questiona teorias anteriores sobre a resistência do gelo em viagens prolongadas pelo vácuo. A preservação de tantos recursos hídricos sugere que o núcleo do objeto possui dimensões suficientes para proteger seu interior contra a radiação cósmica.

O estudo do 3I/ATLAS, viabilizado pela colaboração entre observatórios terrestres e espaciais e pelo aprimoramento do monitoramento, permite analisar amostras de outros sistemas solares sem a necessidade de missões de longa distância. Os dados coletados auxiliam no refino de modelos sobre a ejeção desses corpos de seus sistemas de origem e sua sobrevivência ao longo de milhões de anos.

O monitoramento seguirá até que o objeto se distancie do alcance dos telescópios, com o objetivo de verificar se o calor solar causará a fragmentação do cometa. A análise final servirá para comparar a água terrestre com a transportada por esses corpos interestelares, confirmando que o espaço entre as estrelas é populado por pequenos objetos que cruzam sistemas solares regularmente. A expectativa é que a operação de novos observatórios de alta sensibilidade aumente a frequência de descobertas semelhantes.

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