Ciência

Engenheiro de São Luís transforma quarto em centro de monitoramento espacial para observar corpos celestes

21 de Abril de 2026 às 06:12

Um engenheiro eletricista de São Luís criou o Astro Sat, um centro de monitoramento espacial doméstico para rastrear satélites e capturar imagens de corpos celestes. O sistema utiliza softwares de rastreamento e fotografia de longa exposição para contornar a poluição luminosa local. O profissional também atua na diretoria de montagens da Sociedade de Astronomia do Maranhão

Um engenheiro eletricista residente em São Luís transformou seu quarto em um centro de monitoramento espacial denominado Astro Sat. A estrutura funciona como um mini-observatório pessoal, integrando equipamentos ópticos, câmeras de longa exposição e softwares de rastreamento para a identificação de objetos celestes e o acompanhamento de trajetórias de satélites artificiais.

O sistema permite a captura de imagens de estruturas complexas, como a Nebulosa de Órion — região de formação de estrelas composta por gás e poeira cósmica — e a Galáxia de Andrômeda, situada a aproximadamente 2,5 milhões de anos-luz da Terra. Para superar a poluição luminosa da capital maranhense, que reduz a visibilidade de corpos celestes de brilho fraco, são utilizadas técnicas de fotografia de longa exposição. Esse método acumula luz por vários minutos, permitindo que o processamento digital revele detalhes invisíveis ao olho humano.

Além de corpos profundos, o monitoramento abrange a passagem de satélites, incluindo a Estação Espacial Internacional. O projeto, que começou aos 14 anos com a aquisição do primeiro telescópio, teve origem no interesse despertado pelo céu livre de poluição luminosa de Apicum-Açu, cidade localizada a 306 quilômetros de São Luís.

A atuação técnica se estende à Sociedade de Astronomia do Maranhão (SAMA), onde Luan Victor Fonseca ocupa a diretoria de montagens. Nessa função, ele é responsável pela manutenção dos equipamentos utilizados em sessões públicas de observação de crateras lunares e dos anéis de Saturno em praças e espaços abertos.

A SAMA também desenvolve ações de divulgação científica por meio de palestras escolares sobre fenômenos celestes e meteoritos. Para o público infantil, a entidade mantém o SAMA Kids, que prepara crianças para a Olimpíada Brasileira de Astronomia e organiza competições de lançamento de foguetes construídos com garrafas PET.

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