Esporos de musgo sobrevivem por nove meses expostos ao ambiente externo da Estação Espacial Internacional
Esporos do musgo Physcomitrium patens sobreviveram por 283 dias no ambiente externo da Estação Espacial Internacional. Mais de 80% das amostras retomaram a reprodução após exposição ao vácuo, radiação e oscilações térmicas. A resistência é atribuída a uma estrutura protetora externa e a sistemas eficientes de reparo de DNA
Esporos do musgo *Physcomitrium patens*, espécie comum em desertos e no Ártico, demonstraram uma resistência superior às expectativas científicas ao sobreviverem a 283 dias expostos ao ambiente externo da Estação Espacial Internacional (ISS). O experimento, iniciado em março de 2022 via cápsula Cygnus, submeteu a planta a condições extremas simultâneas: vácuo absoluto, microgravidade, secura severa e radiação cósmica, com oscilações térmicas entre -196°C e +100°C.
Ao retornarem à Terra, mais de 80% dos esporos regeneraram-se e retomaram a reprodução. O resultado contrariou a previsão da equipe de pesquisa, liderada por Tomomichi Fujita, da Universidade de Hokkaido, que estimava uma taxa de sobrevivência próxima de zero diante da combinação de fatores estressantes.
A resiliência do vegetal é atribuída a dois mecanismos biológicos principais. Primeiro, a presença de uma estrutura externa semelhante a uma casca, que atua como escudo contra danos químicos e físicos. Segundo, a existência de sistemas de reparo de DNA altamente eficientes, capazes de identificar e corrigir as mutações causadas pela radiação cósmica, permitindo que o ciclo de crescimento seja reiniciado em condições favoráveis.
Este estudo é o primeiro a comprovar que uma planta terrestre primitiva consegue suportar longos períodos no espaço, aproximando-se de resistências já observadas em organismos como os tardígrados. Com base nos dados coletados, modelos matemáticos indicam que esses esporos poderiam sobreviver até 5.600 dias — cerca de 15 anos — no vácuo espacial.
A descoberta oferece suporte técnico à hipótese da panspermia, sugerindo que a vida poderia ter sido transportada entre planetas através de meteoritos ao longo de bilhões de anos, já que o tempo de sobrevivência estimado é compatível com a jornada entre Marte e a Terra. Além disso, o resultado indica que a biologia terrestre possui mecanismos celulares intrínsecos para suportar o ambiente espacial, o que abre caminhos para o uso de organismos semelhantes em futuras missões de colonização e cultivo em habitats extraterrestres, como a Lua ou Marte.