Ciência

Simulações indicam a presença de material superiônico no interior de Urano e Netuno

19 de Abril de 2026 às 12:52

Simulações publicadas na Nature Communications indicam a existência de um material superiônico nas profundezas de Urano e Netuno. A substância, formada por hidreto de carbono sob pressão e temperatura extremas, combina propriedades de sólidos e líquidos. O estudo sugere que esse estado da matéria influencia o magnetismo e a condutividade elétrica de Urano

Simulações computacionais publicadas em março na revista Nature Communications revelaram que as profundezas de Urano e Netuno podem abrigar um estado da matéria ainda desconhecido. A pesquisa utilizou a física quântica para analisar o comportamento do hidreto de carbono, molécula formada por hidrogênio e carbono, sob condições extremas de temperatura, atingindo 10 mil Kelvin, e pressão, chegando a 10 milhões de bars.

Os resultados apontam para a existência de um material superiônico, que apresenta propriedades híbridas. Enquanto o carbono se organiza em redes hexagonais fixas, comportando-se como um sólido, o hidrogênio se desloca em trajetórias espirais, assemelhando-se a um líquido.

Essa descoberta aprofunda a compreensão sobre a estrutura interna desses planetas, que permanecem pouco conhecidas apesar de décadas de observação e dados coletados pela sonda Voyager 2. Abaixo das camadas atmosféricas compostas por hélio e hidrogênio, localizam-se regiões de "gelo quente", formadas por amônia, metano e água. Nessas condições de pressão intensa, o carbono pode se transformar em diamantes que migram em direção ao núcleo.

A presença desse material superiônico oferece uma explicação para as anomalias físicas de Urano, que possui a rotação com o eixo praticamente inclinado de lado e um campo magnético com inclinação acentuada e deslocado de seu centro. A substância influenciaria diretamente o magnetismo e a condutividade elétrica do planeta.

O estudo indica que tais fenômenos podem ocorrer em outros corpos celestes semelhantes, evidenciando que a matéria no universo assume formas mais diversas do que as catalogadas anteriormente, especialmente em ambientes de extremos físicos onde materiais simples, como carbono e hidrogênio, assumem comportamentos incomuns.

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