Ciência

Turbinas submarinas na Escócia superam expectativas de durabilidade e geram energia para 3.500 residências

19 de Abril de 2026 às 06:09

Turbinas submarinas da SIMEC Atlantis Energy operam há sete anos no Mar do Norte, superando a previsão inicial de durabilidade. O sistema gerou 90 GWh, volume suficiente para abastecer cerca de 3.500 residências anualmente

A operação de turbinas submarinas no Mar do Norte, na Escócia, tem demonstrado a viabilidade da energia maremotriz ao superar as expectativas de durabilidade e desempenho. Geridas pela SIMEC Atlantis Energy desde 2018, as instalações funcionam continuamente há sete anos, ultrapassando a previsão inicial de três ou quatro anos de operação. No total, o sistema já gerou cerca de 90 GWh, volume capaz de abastecer aproximadamente 3.500 residências anualmente.

O diferencial tecnológico dessas turbinas reside na previsibilidade. Enquanto fontes como a solar e a eólica sofrem com a intermitência — dependendo de condições climáticas e do ciclo dia/noite —, as marés são regidas pela gravidade da Lua. Esse fenômeno ocorre com regularidade absoluta duas vezes ao dia, permitindo que a geração de energia seja calculada com precisão matemática por décadas. Para a Universidade de Oxford, essa característica torna a fonte constante e confiável.

Do ponto de vista técnico, as turbinas convertem a energia cinética do movimento de grandes volumes de água em eletricidade, que é enviada à rede elétrica via cabos submarinos. Devido à densidade da água ser cerca de 800 vezes superior à do ar, equipamentos menores conseguem produzir a mesma quantidade de energia que turbinas eólicas equivalentes. Inspeções recentes nas estruturas da SIMEC Atlantis Energy revelaram que os equipamentos permanecem em boas condições, sem peças danificadas e com a necessidade de substituição de apenas um conector, o que reduz os custos operacionais.

Essa previsibilidade gera um impacto econômico direto ao diminuir a dependência de usinas de reserva movidas a combustíveis fósseis, como gás e carvão, que normalmente suprem as lacunas de geração solar e eólica. Atualmente, porém, a energia maremotriz no Reino Unido é três a quatro vezes mais cara que as demais renováveis, custando significativamente mais que as 70 libras por megawatt-hora praticadas pelo sol e vento. A expectativa é que o custo caia para US$ 0,10 por kWh até 2030, seguindo a tendência de redução de preços observada em outras tecnologias limpas.

Para viabilizar essa expansão, novas gerações de turbinas estão sendo desenvolvidas com pás mais longas, materiais mais resistentes e design otimizado por inteligência artificial. Na Escócia, coexistem dois modelos: as turbinas fixas ao fundo do mar, mais discretas e protegidas de tempestades, e o sistema flutuante O2, da Orbital Marine Power. Este último, ancorado ao fundo mas operando na superfície, gera 2 MW (suficiente para 17 residências) e facilita a manutenção, embora seja mais exposto às intempéries.

Quanto ao impacto ambiental, monitoramentos por sonar durante seis meses em turbinas da SIMEC Atlantis Energy não registraram colisões com a fauna marinha. Os dados indicam que peixes, focas e aves contornam as estruturas, atravessam entre as pás ou mudam de direção. Para aumentar a segurança, as turbinas estão sendo projetadas para operar em velocidades reduzidas, embora estudos de longo prazo sobre ecossistemas e sedimentos ainda sejam necessários.

A França também investe na área, com planos de instalar 250 MW de capacidade e operando a usina de Rance desde 1966, que produz energia com custo inferior ao da solar e nuclear. Outras regiões promissoras incluem a costa leste do Canadá, o nordeste da Austrália e a plataforma patagônica. No Brasil, apesar dos 7 mil quilômetros de costa, a viabilidade depende de trechos com correntes fortes e proximidade de centros de consumo, embora ainda não existam projetos de escala anunciados.

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