Ciência

Exoplaneta Enaiposha apresenta características de tamanho e composição inexistentes no Sistema Solar

19 de Abril de 2026 às 06:09

O exoplaneta Enaiposha, localizado a 40 anos-luz, é um sub-Netuno com atmosfera de hidrogênio, hélio e vapor de água. O astro possui um oceano global sob alta pressão e temperaturas elevadas, orbitando uma estrela anã vermelha. O Telescópio James Webb analisa a presença de metano e dióxido de carbono em sua composição química

O exoplaneta GJ 1214 b, agora nomeado Enaiposha, apresenta características que não possuem paralelo no Sistema Solar, situando-se em uma categoria intermediária de tamanho conhecida como "sub-Netuno". Localizado a aproximadamente 40 anos-luz de distância, o astro é maior que a Terra, porém menor que Netuno, preenchendo uma lacuna de dimensão inexistente entre os planetas rochosos e os gigantes gasosos que orbitam o Sol.

A composição de Enaiposha é dominada por compostos voláteis, resultando em uma densidade baixa e em uma estrutura distinta dos gigantes gasosos tradicionais. Sua atmosfera é densa, composta por hidrogênio e hélio com alta saturação de vapor de água, o que indica a presença de um oceano global sob a camada gasosa. Devido às pressões atmosféricas extremas, as camadas mais profundas do planeta podem abrigar estados exóticos de água, como o gelo superiônico.

A superfície do exoplaneta atinge temperaturas elevadíssimas, impossibilitando a existência de água líquida nos moldes terrestres. O astro é envolto por uma neblina persistente de aerossóis que reflete a luz de sua estrela, uma anã vermelha fria, dificultando a observação direta da superfície e exigindo o uso de espectroscopia avançada para a identificação de elementos químicos.

A configuração atual de Enaiposha sugere que ele se formou em uma região fria e distante de seu sistema estelar, além da chamada "linha de gelo", migrando posteriormente para a órbita próxima à estrela. Esse deslocamento orbital justifica a alta concentração de água e gelo, transformando o planeta em um mundo oceânico sob condições de estufa extrema. O nome Enaiposha, derivado da cultura Maa, faz referência a um grande corpo de água, refletindo a natureza do astro.

Atualmente, o Telescópio Espacial James Webb é utilizado para analisar a proporção de dióxido de carbono e metano na atmosfera, tentando atravessar a camada de neblina. O estudo de Enaiposha funciona como um laboratório para testar a evolução de planetas ricos em água sob a radiação de estrelas anãs, auxiliando no mapeamento da composição química do cosmos e na identificação de outros sub-Netunos na Via Láctea.

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