NASA detecta aminoácidos e nucleobases do DNA em amostras do asteroide Bennu
Em 29 de janeiro de 2025, a NASA informou que amostras do asteroide Bennu possuem cinco nucleobases de DNA e RNA, além de 14 aminoácidos. O material foi trazido pela missão OSIRIS-REx em setembro de 2023 e contém minerais formados em meios aquosos
A NASA divulgou, em 29 de janeiro de 2025, os primeiros resultados completos das análises de amostras coletadas no asteroide Bennu. O material, capturado em 2020 pela missão OSIRIS-REx e devolvido à Terra em setembro de 2023, revelou a presença de 14 dos 20 aminoácidos utilizados na formação de proteínas terrestres, além de todas as cinco nucleobases que compõem o DNA e o RNA: adenina, guanina, citosina, timina e uracila.
A identificação desses compostos em um corpo celeste de aproximadamente 4,5 bilhões de anos indica que ingredientes fundamentais para a química da vida existiam antes mesmo da formação da Terra. O achado fortalece a hipótese de que asteroides podem ter distribuído esses componentes pelo Sistema Solar primitivo, especialmente durante o período de bombardeio intenso tardio, quando a Terra foi atingida por diversos cometas e asteroides.
Bennu é classificado como um asteroide carbonáceo, rico em minerais e compostos orgânicos. Por ter permanecido praticamente inalterado desde sua origem, o corpo funciona como um arquivo químico do início do Sistema Solar. As análises também detectaram minerais formados em ambientes aquosos, sugerindo que o corpo original do qual Bennu se originou teve contato com água líquida. A coexistência de água e moléculas orgânicas é considerada um fator essencial para a viabilidade da vida.
A precisão dos dados é atribuída ao método de coleta da missão OSIRIS-REx. Lançada em 2016 e chegada ao asteroide em 2018, a sonda utilizou um braço robótico para extrair material diretamente da superfície. Esse processo elimina as incertezas comuns em estudos de meteoritos, que podem sofrer alterações químicas ao atravessar a atmosfera terrestre.
Embora a descoberta confirme a presença de blocos construtores da vida, a NASA esclarece que a detecção de aminoácidos e nucleobases não comprova a existência de organismos vivos no asteroide, mas sim a disponibilidade de seus componentes básicos.
O sucesso da missão estabelece um novo padrão para a exploração espacial ao demonstrar a viabilidade de trazer amostras intactas de corpos celestes. Como apenas uma pequena fração do material foi analisada até o momento, os estudos continuarão por anos. A constatação de que ingredientes básicos da vida são comuns em asteroides amplia as perspectivas de busca por condições semelhantes em outros planetas, luas e corpos celestes do universo.