Ciência

Pesquisadores desenvolvem anticorpos que bloquearam integralmente a infecção pelo vírus Epstein-Barr em modelos animais

18 de Abril de 2026 às 15:15

Pesquisadores do Fred Hutch Cancer Center desenvolveram anticorpos monoclonais que bloquearam a infecção pelo vírus Epstein-Barr em modelos animais. O estudo, publicado na revista Cell Reports Medicine, registrou 100% de prevenção nos testes pré-clínicos ao neutralizar duas proteínas do vírus

Pesquisadores do Fred Hutch Cancer Center, nos Estados Unidos, desenvolveram anticorpos monoclonais que bloquearam integralmente a infecção pelo vírus Epstein-Barr (VEB) em modelos com sistema imunológico humanizado. O estudo, publicado em abril de 2026 na revista Cell Reports Medicine, detalha a criação de camundongos geneticamente modificados para produzir anticorpos humanos, permitindo a elaboração de moléculas que atacam duas proteínas essenciais do vírus. A neutralização simultânea dessas estruturas resultou em 100% de prevenção nos testes pré-clínicos.

A descoberta preenche uma lacuna terapêutica, já que não existem vacinas, antivirais específicos ou terapias aprovadas para prevenir a infecção pelo VEB. O vírus atinge cerca de 95% da população mundial, geralmente durante a infância ou adolescência, permanecendo latente no organismo. Embora a maioria dos portadores seja assintomática, o VEB é o agente causador da mononucleose e está vinculado a doenças autoimunes graves e cânceres, como o câncer nasofaríngeo e os linfomas de Burkitt e de Hodgkin. Dados da Universidade Harvard indicam, inclusive, que a infecção eleva em 30 vezes o risco de desenvolvimento de esclerose múltipla.

A transmissão do patógeno ocorre por meio de beijos, objetos contaminados, transfusões sanguíneas e via transplacentária, quando a gestante transmite o vírus ao feto. O risco de reativação do vírus é crítico em pacientes com sistema imunológico comprometido, como aqueles submetidos a transplantes de órgãos ou medula óssea que utilizam imunossupressores, podendo levar ao surgimento de linfomas associados ao procedimento.

A estratégia proposta pelos cientistas prevê o uso desses anticorpos como tratamento preventivo via infusões, neutralizando o vírus antes que cause danos ao organismo. Apesar do êxito nos modelos animais, a terapia requer ensaios clínicos em humanos para validar a segurança e a eficácia. Ainda não há cronograma definido para essas etapas, nem informações sobre possíveis efeitos colaterais. Além disso, a natureza dos anticorpos monoclonais sugere um custo elevado, fator que pode restringir o acesso ao tratamento em nações de baixa renda.

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