Cientistas identificam nova espécie de opilião de 35 milhões de anos em âmbar na Europa
Cientistas identificaram a espécie de opilião Balticolasma wunderlichi em âmbares de 35 milhões de anos encontrados no Báltico e na Ucrânia. O registro, publicado na revista Acta Palaeontologica Polonica, comprova a presença da subfamília Ortholasmatinae na Europa durante o Eoceno
Cientistas identificaram uma nova espécie de opilião, batizada de *Balticolasma wunderlichi*, preservada em âmbar de aproximadamente 35 milhões de anos. O achado, detalhado na revista *Acta Palaeontologica Polonica*, revela a existência de um aracnídeo da subfamília Ortholasmatinae em território europeu durante o período Eoceno, grupo que atualmente não possui representantes no continente, sendo encontrado apenas na América do Norte, Central e no Leste Asiático.
Os espécimes foram localizados em dois depósitos distintos: na região do Báltico e em Rovno, no noroeste da Ucrânia. A presença da espécie em ambas as localidades indica que o *Balticolasma wunderlichi* possuía uma distribuição geográfica ampla na época. A análise foi viabilizada por meio de tomografia computadorizada e microscopia óptica, técnicas que permitiram a reconstrução tridimensional da anatomia do animal e a diferenciação entre os sexos através do estudo das estruturas genitais.
A descoberta evidencia que a região entre o Mar Báltico e o Mar Negro — abrangendo Belarus, Estônia, Letônia, Lituânia e Ucrânia — possuía um clima temperado ou subtropical no Eoceno, condição que sustentava uma biodiversidade superior à atual. O fato de a mesma espécie ter sido encontrada nos âmbares báltico e de Rovno, que geralmente apresentam faunas distintas, demonstra que as regiões compartilhavam características biológicas semelhantes no período.
Com a inclusão do *Balticolasma wunderlichi*, o registro de opiliões no âmbar báltico subiu para 19 espécies, enquanto o depósito de Rovno agora soma sete. No total, seis espécies de opiliões foram identificadas em ambas as regiões.
Para o paleontólogo Christian Bartel, líder da pesquisa, o achado é inesperado devido à ausência atual desse grupo na Europa. O pesquisador Jason Dunlop reforça que o âmbar báltico permanece como uma fonte essencial de fósseis de espécies extintas na região. Por serem os primeiros fósseis conhecidos da subfamília Ortholasmatinae, os exemplares preenchem uma lacuna sobre a distribuição continental e a evolução dos opiliões, evidenciando as profundas mudanças ambientais que alteraram seus habitats ao longo de milhões de anos. A reconstrução completa da história evolutiva do grupo, no entanto, depende de novos achados fósseis em outras partes do mundo.