Ciência

Pesquisadores identificam a presença de lítio em cristais de pirita em rochas de xisto

18 de Abril de 2026 às 15:15

Pesquisadores da West Virginia University identificaram lítio em cristais de pirita de rochas sedimentares com mais de 300 milhões de anos. O estudo com amostras dos Montes Apalaches indica que a pirita pode liberar até 54% do metal disponível

Pesquisadores da West Virginia University, nos Estados Unidos, identificaram a presença de lítio no interior de cristais de pirita em rochas de xisto com mais de 300 milhões de anos. O achado, publicado em 16 de abril de 2026 no ScienceDaily, é inédito na literatura científica, pois estabelece uma conexão até então pouco explorada entre o lítio e minerais ricos em enxofre.

A análise consistiu no estudo de 15 amostras de rochas sedimentares do período Devoniano, provenientes da bacia dos Montes Apalaches. Os dados revelaram que a recuperação de lítio possui uma correlação positiva com a quantidade de pirita presente na rocha. Em casos onde o teor total de lítio na rocha era menor, a pirita foi capaz de liberar até 54% de todo o metal disponível.

Essa descoberta possui implicações práticas para a cadeia de suprimentos de baterias, já que a pirita é abundante em xistos orgânicos, materiais frequentemente descartados como resíduos em operações de perfuração. A possibilidade de extrair o mineral de subprodutos existentes eliminaria a necessidade de abertura de novas minas, reduzindo impactos ambientais como a alteração de paisagens e o consumo massivo de água, características da mineração convencional dominada por China, Austrália e Chile.

Além do fornecimento de matéria-prima para veículos elétricos, a composição da pirita, rica em enxofre, alinha-se ao interesse crescente da engenharia de materiais em baterias de lítio-enxofre, que prometem superioridade em relação às atuais de íons de lítio.

Se a viabilidade comercial for confirmada, a técnica poderá ser aplicada em regiões com grandes reservas de xisto, como nos Estados Unidos e no Brasil, especialmente na Formação Irati, no Paraná. No entanto, o estudo é classificado como exploratório, permanecendo pendente a demonstração da viabilidade econômica em larga escala, bem como a análise de custos de processamento em comparação aos métodos tradicionais de extração em pegmatitos ou salmouras.

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