Pesquisadores identificam a presença de lítio em cristais de pirita em rochas de xisto
Pesquisadores da West Virginia University identificaram lítio em cristais de pirita de rochas sedimentares com mais de 300 milhões de anos. O estudo com amostras dos Montes Apalaches indica que a pirita pode liberar até 54% do metal disponível
Pesquisadores da West Virginia University, nos Estados Unidos, identificaram a presença de lítio no interior de cristais de pirita em rochas de xisto com mais de 300 milhões de anos. O achado, publicado em 16 de abril de 2026 no ScienceDaily, é inédito na literatura científica, pois estabelece uma conexão até então pouco explorada entre o lítio e minerais ricos em enxofre.
A análise consistiu no estudo de 15 amostras de rochas sedimentares do período Devoniano, provenientes da bacia dos Montes Apalaches. Os dados revelaram que a recuperação de lítio possui uma correlação positiva com a quantidade de pirita presente na rocha. Em casos onde o teor total de lítio na rocha era menor, a pirita foi capaz de liberar até 54% de todo o metal disponível.
Essa descoberta possui implicações práticas para a cadeia de suprimentos de baterias, já que a pirita é abundante em xistos orgânicos, materiais frequentemente descartados como resíduos em operações de perfuração. A possibilidade de extrair o mineral de subprodutos existentes eliminaria a necessidade de abertura de novas minas, reduzindo impactos ambientais como a alteração de paisagens e o consumo massivo de água, características da mineração convencional dominada por China, Austrália e Chile.
Além do fornecimento de matéria-prima para veículos elétricos, a composição da pirita, rica em enxofre, alinha-se ao interesse crescente da engenharia de materiais em baterias de lítio-enxofre, que prometem superioridade em relação às atuais de íons de lítio.
Se a viabilidade comercial for confirmada, a técnica poderá ser aplicada em regiões com grandes reservas de xisto, como nos Estados Unidos e no Brasil, especialmente na Formação Irati, no Paraná. No entanto, o estudo é classificado como exploratório, permanecendo pendente a demonstração da viabilidade econômica em larga escala, bem como a análise de custos de processamento em comparação aos métodos tradicionais de extração em pegmatitos ou salmouras.