Estruturas fósseis de oito metros podem ter sido os maiores fungos da história da Terra
As Prototaxites, formações cilíndricas que chegavam a 8 metros de altura, estiveram presentes em todos os continentes no período de 420 a 370 milhões de anos. A classificação do organismo é debatida entre a tese de fungos e a de massas de cianobactérias e hepáticas. A análise de isótopos de carbono-13 sustenta a hipótese fúngica, predominante no meio científico
Entre 420 e 370 milhões de anos atrás, durante os períodos Siluriano e Devoniano, a Terra era habitada por estruturas cilíndricas de até 8 metros de altura conhecidas como Prototaxites. Esses organismos, distribuídos por todos os continentes, dominavam paisagens onde as plantas terrestres não ultrapassavam 20 centímetros, chegando a ser 40 vezes maiores que a vegetação ao redor. A predominância desses gigantes terminou com a ascensão das primeiras árvores verdadeiras, que substituíram essas formações.
Com diâmetro de até 1 metro, os fósseis revelam troncos maciços compostos por tubos concêntricos interconectados, uma anatomia que não possui correspondentes entre as espécies vivas atuais. A primeira descrição científica ocorreu em 1859, quando o paleobotânico canadense John William Dawson os classificou como coníferas fossilizadas. Ao longo de mais de 160 anos, a natureza do Prototaxites foi reavaliada diversas vezes, passando por classificações como algas, líquens, plantas vasculares e tapetes microbianos.
Em 2001, Francis Hueber, do Smithsonian Institution, propôs que se tratava de fungos gigantes. Essa tese ganhou suporte em 2007, após C. Kevin Boyce e sua equipe analisarem isótopos de carbono-13, identificando assinaturas nutricionais distintas das plantas fotossintéticas vizinhas, o que indica um método de obtenção de nutrientes compatível com fungos. Contudo, em 2010, Linda Graham apresentou uma alternativa, sugerindo que as estruturas seriam massas enroladas de cianobactérias e hepáticas.
Caso a hipótese fúngica seja confirmada, os Prototaxites seriam os maiores organismos terrestres visíveis de toda a história da vida no planeta. Atualmente, o maior fungo do mundo é o Armillaria ostoyae, no Oregon, EUA, que se estende por 8,9 km² de forma subterrânea, mas nenhum fungo moderno atinge a altura dos fósseis antigos.
A dificuldade em estabelecer um consenso científico deve-se à deformação e perda de detalhes internos dos fósseis ao longo do tempo. A natureza enigmática dessas criaturas, somada a outras descobertas como o Spinosaurus de 12 metros no Saara, reforça que a biologia da Terra primitiva era distinta das noções contemporâneas. Embora a teoria dos fungos seja a mais aceita, o debate permanece aberto, dependendo de novas técnicas de análise para solucionar a classificação do organismo.