NASA criará sistema de propulsão elétrica nuclear para enviar helicópteros a Marte em 2028
A NASA testará a propulsão elétrica nuclear na missão Space Reactor-1 Freedom, com partida em dezembro de 2028 para Marte. O projeto, em parceria com o Departamento de Energia dos EUA, usa um reator de fissão de urânio. A nave levará três helicópteros do sistema Skyfall para localizar água subterrânea e analisar terrenos
A NASA anunciou, em 24 de março de 2026, o desenvolvimento da Space Reactor-1 Freedom (SR-1 Freedom), missão destinada a testar a propulsão elétrica nuclear em trajetórias interplanetárias. Com lançamento previsto para dezembro de 2028, aproveitando a janela de oportunidade para Marte, o projeto visa demonstrar a viabilidade de um reator de fissão nuclear para impulsionar naves além da órbita terrestre.
A arquitetura do SR-1 Freedom marca uma mudança técnica em relação aos geradores termoelétricos de radioisótopos (RTGs) utilizados em missões anteriores. Enquanto os RTGs alimentam apenas instrumentos de bordo, o novo sistema utiliza um reator de fissão associado a propulsores elétricos, transformando a energia nuclear em força de propulsão. O sistema opera com combustível de urânio e conversão de energia por ciclo Brayton, gerando mais de 20 quilowatts de potência elétrica.
Essa escolha tecnológica visa superar as limitações da propulsão química, que possui alto empuxo, mas consome propelente rapidamente. A propulsão elétrica permite uma aceleração gradual e contínua por períodos prolongados, otimizando a massa embarcada e ampliando a capacidade de transporte em missões longas, especialmente em regiões remotas com baixa incidência de luz solar.
Como carga científica, a nave transportará o sistema Skyfall, composto por três helicópteros da classe do Ingenuity. Esses veículos serão equipados com rádios, câmeras e radar de penetração no solo para mapear depósitos de água subterrâneos, identificar riscos de pouso e reconhecer terrenos para futuras operações humanas. O projeto utiliza como referência o histórico do Ingenuity, que realizou 72 voos entre abril de 2021 e janeiro de 2024 após chegar a Marte com o rover Perseverance.
Para viabilizar a operação, a NASA reaproveitará hardware do Power and Propulsion Element, módulo do projeto Gateway. O cronograma prevê que o reator e os propulsores elétricos sejam ativados em até 48 horas após a saída do campo gravitacional da Terra. A partir desse momento, a integração entre a conversão de energia e a propulsão será testada em ambiente de vácuo e sob variações térmicas intensas.
O desenvolvimento do SR-1 Freedom ocorre em cooperação com o Departamento de Energia dos Estados Unidos, com foco na qualificação da mão de obra, de procedimentos de segurança e da cadeia industrial. A missão também funciona como um passo preparatório para o Lunar Reactor-1 (LR-1), sistema de fissão planejado para gerar energia na superfície da Lua. Ao testar o reator em voo antes de enfrentar a complexidade de um pouso lunar, a agência busca reduzir riscos e acelerar a maturação tecnológica para bases de longa duração.
Historicamente, a iniciativa tenta transformar décadas de pesquisa em capacidade operacional. O único reator lançado pelos Estados Unidos anteriormente foi o SNAP-10A, em 1965, que não ultrapassou a órbita terrestre.
Embora a configuração final do projeto e o destino da nave após a entrega do Skyfall em Marte ainda estejam em fase de definição, a missão é central para a estratégia de exploração do espaço profundo, abrangendo objetivos que se estendem da Lua ao sistema solar exterior.