Ciência

Pesquisadores identificam 24 novas espécies de anfípodes em recorde histórico no Oceano Pacífico

16 de Abril de 2026 às 10:09

A revista ZooKeys publicou a descoberta de 24 espécies de anfípodes na Zona Clarion-Clipperton, no Oceano Pacífico. O registro, feito a 4.000 metros de profundidade, incluiu a descrição de dois gêneros, uma família e uma superfamília. A coleta de dados antecede a mineração de nódulos polimetálicos no local

A catalogação de 24 novas espécies de anfípodes, pequenos crustáceos semelhantes a camarões, foi registrada no fundo do Oceano Pacífico. A descoberta, publicada em uma edição especial da revista ZooKeys, representa a maior catalogação de anfípodes profundos da história. Além das novas espécies, o estudo identificou a superfamília Mirabestioidea, a família Mirabestiidae e dois novos gêneros, o que caracteriza um evento taxonômico raro.

Esses animais habitam a Zona Clarion-Clipperton (CCZ), uma vasta região entre o Havaí e o México que se estende por 6 milhões de quilômetros quadrados, área superior à extensão territorial da Índia. Localizados a cerca de 4.000 metros de profundidade, os anfípodes possuem bocas cônicas adaptadas ao ambiente extremo, diferenciando-se de qualquer outro crustáceo conhecido. A diversidade encontrada indica que a CCZ é um hotspot de biodiversidade no leito oceânico.

O levantamento ocorreu antes do início de atividades de mineração submarina na região, que visa a extração de nódulos polimetálicos ricos em níquel, cobalto e manganês. O processo de coleta desses minerais revolve o sedimento e destrói habitats, colocando em risco espécies que existem há milhões de anos. Por isso, a catalogação prévia serve como uma linha de base científica, permitindo a medição de impactos caso a exploração seja iniciada, evitando que espécies desapareçam sem que a ciência conheça sua existência.

Atualmente, a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA) debate as regras para a mineração na CCZ, mas não há consenso entre os 167 países membros. O impasse reflete a tensão entre empresas, que defendem a necessidade desses minerais para a produção de baterias e energia limpa, e ambientalistas, que argumentam que a biodiversidade das profundezas é insubstituível.

Como a coleta foi realizada em pontos específicos, vastas áreas da Zona Clarion-Clipperton permanecem inexploradas, sugerindo que milhares de outras espécies podem existir sem terem sido catalogadas.

Com informações de Click Petróleo e Gás

Notícias Relacionadas