Telescópio James Webb detecta a presença de água em cometa no cinturão principal de asteroides
O telescópio James Webb detectou vapor d'água no cometa 238P/Read, posicionado na região do cinturão principal de asteroides, em parceria entre NASA e ESA. A análise de luz infravermelha comprovou a existência de gelo sob estratos de poeira e rocha. O corpo celeste não apresentou dióxido de carbono
A detecção de vapor d’água no cometa 238P/Read, anunciada em 2023 por meio de uma parceria entre a NASA e a ESA, altera a compreensão científica sobre a preservação de gelo no Sistema Solar. Localizado no cinturão principal de asteroides, entre Marte e Júpiter, o objeto teve sua composição confirmada pelo James Webb Space Telescope, marcando a primeira vez que a presença ativa de água foi comprovada em um ambiente onde, teoricamente, o gelo não deveria sobreviver por bilhões de anos.
A descoberta confronta a teoria de que o cinturão de asteroides seria quente demais para manter reservas de gelo. Devido à proximidade com o Sol e à exposição à radiação solar, acreditava-se que qualquer reserva hídrica teria evaporado há bilhões de anos, o que sustentava a hipótese de que a água da Terra teria sido transportada principalmente por cometas vindos de regiões remotas e frias, como o Cinturão de Kuiper ou a Nuvem de Oort.
Utilizando a análise de luz infravermelha, o James Webb Space Telescope identificou a assinatura espectral da água sendo liberada pelo corpo celeste. O estudo revelou a ausência de dióxido de carbono (CO₂), gás comum em cometas tradicionais, o que indica que o 238P/Read pode ter perdido compostos mais voláteis ao longo do tempo ou possuído uma história evolutiva distinta, tendo se formado em condições diferentes e mais próximas ao Sol.
Classificado como um cometa do cinturão principal, o 238P/Read é um objeto híbrido que orbita na mesma região que os asteroides, mas apresenta atividade cometária, como a emissão de poeira e gás. A confirmação de que a sublimação — a passagem do estado sólido para o gasoso — foi causada por água, e não por outros voláteis, prova que o gelo de água está presente no interior desses corpos.
A sobrevivência desse material em regiões relativamente quentes sugere que o gelo permaneceu protegido sob camadas de rocha e poeira, que atuaram como isolantes térmicos. Quando essas camadas são perturbadas por processos internos ou impactos, o gelo é exposto e começa a sublimar.
Esse achado indica que parte da água presente na Terra pode ter sido originada por impactos de corpos situados em regiões muito mais próximas do Sol do que se imaginava, simplificando modelos de formação planetária e a compreensão da distribuição hídrica no Sistema Solar primitivo.
A precisão tecnológica do James Webb Space Telescope foi fundamental para transformar a percepção do cinturão de asteroides, que passa a ser visto como uma região potencialmente dinâmica e rica em voláteis. A existência de água escondida em locais inesperados abre novas frentes de pesquisa e a possibilidade de missões espaciais dedicadas ao estudo de outros objetos semelhantes na região.